Ação mais negociada da Petrobras cai um dia após prejuízo de R$ 22 bi
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Após caírem mais de 9% no início dos negócios, as ações mais negociadas da Petrobras reduziram a queda, mas ainda assim fecharam com desvalorização nesta quinta-feira (23).
A desvalorização ocorreu um dia após a estatal anunciar que teve prejuízo de R$ 21,6 bilhões em 2014, o primeiro desde 1991, segundo dados ajustados pela inflação.
Desse total, R$ 6,2 bilhões se referem às perdas com corrupção investigada na Operação Lava Jato.
Os papéis preferenciais, sem direito a voto, fecharam com queda de 1,52%, a R$ 12,92. No valor mínimo do dia, registrado às 10h17, caíram 9,38%, a R$ 11,89.
Já as ações ordinárias -com direito a voto- fecharam com alta de 5,63%, para R$ 14,06, após chegarem a cair 6,40%, para R$ 12,46, também às 10h17.
O Ibovespa, principal índice do mercado acionário brasileiro, subiu 1,95%, para 55.684 pontos, no maior patamar desde 21 de novembro de 2014, quando fechou a 56.084 pontos.
As ações preferenciais tiveram queda mais acentuada depois de a estatal indicar que não pagará dividendos em 2014. O dividendo é uma parte do lucro que a empresa distribui aos seus acionistas.
"Essa diferença está relacionada ao fluxo de investimento estrangeiro. O investidor estrangeiro está preferindo migrar para as ordinárias, por isso o aumento do valor", diz Fabio Lemos, analista de renda variável da São Paulo Investments. A migração ocorre porque a vantagem do papel preferencial, que é de dar preferência ao recebimento de dividendos, passa a não existir mais neste ano, já que não haverá pagamento de dividendos.
Nos Estados Unidos, os recibos de ações da empresa equivalentes a ações preferenciais chegaram a cair 7,6% por volta de 10h, para a minima de US$ 8,05. No entanto, fecharam com queda de 0,34%, para US$ 8,68.
Já as ADRs equivalentes às ordinárias tiveram queda de 5,7% nesta quinta, para a mínima de US$ 8,42, mas se recuperaram ao longo do dia. Os papéis fecharam com valorização de 5,26%, para US$ 9,40.
Roberto Indech, analista da corretora Rico, afirma que o número do balanço evidenciando o esquema de corrupção na estatal veio de acordo com o esperado pelo mercado. "Embora ruim, o balanço ajuda a resgatar a credibilidade da empresa. A partir de agora, pesarão mais os fatos que dizem respeito à própria operação da Petrobras", afirma.
É a mesma opinião de Leandro Martins, analista-chefe da Walpires Corretora. "O balanço apenas comprovou o que todo mercado já tinha em termos de expectativa e deve ser divisor de água da companhia", diz. "Agora, a expectativa é de que o próximo balanço seja melhor que o divulgado na quarta-feira", afirma.
Para ele, apesar do prejuízo, há espaço para que as ações da Petrobras se recuperem. "Não seria surpresa se, até o final do ano, as ações voltassem para o patamar de R$ 20", ressalta.
VALE
O dia foi marcado por um otimismo generalizado na Bolsa. As ações da Vale fecharam em alta pelo terceiro dia seguido. Os papéis preferenciais da mineradora subiram 6,56%, para R$ 17,54. Os ordinários tiveram alta de 8,43%, para R$ 21,09.
Na quarta-feira, os papéis subiram mais de 9% com a alta do preço do minério de ferro e também ainda sob o efeito do lançamento de estímulos pelo banco central chinês, no domingo.
Destaque também para as siderúrgicas, que se beneficiaram do aumento do preço das commodities no exterior. O minério de ferro fechou em alta pelo segundo dia seguido. As ações da CSN subiram 7,31%, para R$ 7,05. Já os papéis preferenciais da Usiminas tiveram alta de 6,76%, para R$ 6.
No sentido contrário, as ações da Rumo Logística caíram 9,70%, para R$ 1,49, e lideraram as baixas no Ibovespa.
