Bendine diz que Petrobras não vai entrar em marcha ré e que balanço resgata credibilidade
LUCAS VETTORAZZO E SAMANTHA LIMA
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Em sua primeira aparição pública como presidente da Petrobras, Aldemir Bendine afirmou, na noite desta quarta-feira (22), que a "Petrobras não vai parar, não vai entrar em marcha ré".
O presidente, que fez um breve discurso antes da divulgação do balanço de 2014, em que a empresa apresentou um prejuízo líquido de R$ 21,587 bilhões e uma perda direta com a corrupção de R$ 6,194 bilhões, afirmou que a apresentação dos resultados operacionais e contábeis é um passo fundamental "em direção ao pleno resgate da credibilidade da Petrobras juntos aos seus acionistas, fornecedores, ao mercado e à sociedade".
Bendine afirmou que a empresa caminha rumo ao "esclarecimento completo dos desvios que foram praticados dentro da companhia, corroendo o patrimônio de seus acionistas e, portanto, de todos os brasileiros".
O presidente afirmou ainda que o balanço foi aprovado sem ressalvas pela auditora externa PwC. A negativa da auditora em assinar o balanço sem que houvesse a baixa do valor da corrupção foi o principal motivo que levou a Petrobras a atrasar a publicação do balanço anual em 22 dias.
"A partir daqui a Petrobras volta a garantir a normalidade de seu relacionamento com investidores, acionistas e credores no Brasil e no exterior", disse.
"Estamos passando a limpo os erros cometidos no trato com recursos da companhia para podermos lidar com o mercado com a transparência que ele exige e merece receber."
Segundo Bendine, parte do valor da corrupção -de R$ 6,194 bilhões- foi levantado pela própria empresa. Uma segunda só teria sido possível chegar com as investigações do Ministério Público e da Polícia Federal. Bendine falou por cerca de cinco minutos e não citou em nenhum momento a palavra corrupção.
A primeira tarefa da empresa, disse ele, foi fazer uma reavaliação dos ativos com o chamado teste de imparidade (impairment, no jargão em inglês), que busca trazer a valor presente as receitas futuras de suas unidades.
"Precisávamos criar um modelo contábil capaz de retratar com fidelidade a reavaliação dos ativos da companhia por conta das mudanças do mercado e dimensionar os impactos decorrentes da operação Lava Jato."
"Usamos informações que apenas a PF e o MP poderiam dispor por conta de ferramentas de investigação que nem uma empresa tem a sua disposição", disse.
Bendine disse ainda a partir de agora o desafio da Petrobras é melhorar a gestão de caixa e equalizar suas dívida.
"A Petrobras passou por um momento de dificuldade, onde ela foi a maior prejudicada. Temos a convicção que passado a limpo essa situação, a companhia retomará sua capacidade enorme de geração de valor para o acionista e para a toda sociedade brasileira", afirmou.
