Dólar cai para R$ 3,057 após dados de varejo dos EUA; Petrobras tem 4ª alta
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O dólar fechou em baixa nesta terça-feira (14), e atingiu R$ 3,057, após dados sobre o setor de varejo dos Estados Unidos reforçarem no mercado a expectativa de um aumento na taxa de juros americana apenas no final do ano.
Das 24 principais moedas emergentes, 19 se valorizaram em relação ao dólar.
O dólar à vista, referência no mercado financeiro, caiu 0,97%, para R$ 3,08. O dólar comercial, usado em transações no comércio exterior, teve queda de 1,98%, para R$ 3,063.
O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, teve desvalorização de 0,48%, para 53.981 pontos. As ações da Petrobras subiram pelo quarto dia seguido, impulsionadas pela expectativa com a divulgação do balanço auditado da companhia.
Nos EUA, as vendas no varejo subiram em março. Foi a primeira alta desde o final do ano passado, com consumidores comprando automóveis e outros produtos. Para analistas, porém, a alta de março pode ser pontual, além de ter ficado abaixo das expectativas do mercado.
Eduardo Velho, economista-chefe da gestora de recursos INVX Global Partners, afirma que o dado não traz muita segurança ao Federal Reserve (Fed, banco central americano) para elevar as taxas de juros no país já em junho.
"O indicador de vendas no varejo nos EUA é importante, mas, para que o Fed tivesse uma avaliação mais consistente, o indicador precisaria ter apontado uma recuperação há mais tempo. As vendas no varejo sofreram uma grande queda por causa do frio intenso. Por isso, acredito que o Fed só vá subir os juros no segundo semestre", afirma.
O Departamento do Comércio informou nesta terça-feira que as vendas no varejo cresceram 0,9%. Foi o maior ganho desde março do ano passado. A alta interrompeu três meses seguidos de quedas que tinham sido atribuídas ao inverno rigoroso, mas analistas esperavam uma recuperação mais consistente.
Com os juros baixos nos EUA, os investimentos estrangeiros devem permanecer por mais tempo em mercados emergentes, como o Brasil, que oferecem remuneração mais alta. Diante da perspectiva de maior entrada de dólares no mercado brasileiro, o preço da moeda americana cai em relação ao real.
A China divulga ainda nesta terça-feira o dado trimestral de PIB (Produto Interno Bruto), que, na avaliação de Carlos Pedroso, economista sênior do Banco de Tokyo-Mitsubishi, deve impactar os mercados nesta quarta.
BRASIL
As declarações do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, reafirmando o compromisso de levar o IPCA para o centro da meta de 4,5% até o final de 2016 reforçaram as expectativas de um aumento de juros de 0,50 ponto percentual na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária do BC), até 13,25%.
"A valorização do real nas últimas semanas elevou as projeções de aumento de apenas 0,25 ponto percentual, mas a fala do Tombini de hoje fez com que o mercado apostasse novamente no aumento de 0,50 ponto percentual, aliviando a pressão sobre o dólar", ressalta Carlos Pedroso, do Banco de Tokyo-Mitsubishi.
Ainda no Brasil, as vendas no varejo no país também decepcionaram, avalia Eduardo Velho, da INVX Global Partners.
"Vai demorar para o varejo se recuperar. O processo de aceleração da queda da renda real sobre as vendas ocorrerá no segundo trimestre. O número de desempregados vai aumentar, o que significa menos gente gastando dinheiro e cortando custos", avalia.
A alta no preço dos combustíveis e a desaceleração do crédito, somadas à queda na renda, derrubaram o volume de vendas no varejo em 3,1% em fevereiro, na comparação com o do mesmo mês em 2014, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) com base na sua Pesquisa Mensal do Comércio, divulgada nesta terça.
É o pior resultado na comparação com o do mesmo mês do ano anterior desde agosto de 2003, quando havia sido registrado tombo de 5,7%.
BOLSA
As ações da Petrobras subiram pelo quarto dia. As ações preferenciais da estatal -mais negociadas e sem direito a voto- subiram 1,79%, a R$ 12,49. As ações ordinárias -com direito a voto- tiveram alta de 0,24%, para R$ 12,45.
Os papéis da Vale fecharam em alta nesta sessão, impulsionados pelo avanço de 4% dos preços do minério de ferro. Os papéis preferenciais da mineradora subiram 5,03%, para R$ 15,88. As ações ordinárias registraram alta de 2,80%, para R$ 18,75.
Os bancos fecharam em direções mistas. "Há rumores de que a CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) deve subir de 15% para 17% e que os bancos podem ser afetados caso mais empresas envolvidas na Operação Lava Jato entrem em recuperação judicial", afirma Marcio Cardoso, sócio-diretor da Easynvest corretora. A Lava Jato investiga escândalo de corrupção na Petrobras.
As ações do Itaú Unibanco fecharam estáveis em R$ 36,73, enquanto os papéis do Bradesco subiram 0,84%, para R$ 31,27. As ações do Banco do Brasil caíram 0,74%, para R$ 24,07.
