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Heinz é processada por alugar fábrica e devolvê-la com odor de peixe

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GIULIANA VALLONE
NOVA YORK, EUA (FOLHAPRESS) - Um grupo de investidores dos Estados Unidos e de Israel entrou com um ação contra a H.J. Heinz na Corte de Nova Jersey por um motivo inusitado: o mau cheiro. Eles alegam que uma propriedade industrial alugada para a fabricante de condimentos foi devolvida com um forte odor, o que tem afastado outros potenciais clientes.
O local era usado pela Heinz para a produção do famoso molho Worcestershire, da marca Lea & Perrins, o precursor do que é conhecido no Brasil como molho inglês. A receita original leva 11 ingredientes, entre eles vinagre branco, cebolas, extrato de tamarindo e anchovas --as vilãs do processo.
De acordo com uma empresa contratada pela Fairlawn Industrial Properties (FIP), proprietária da planta, o mau cheiro vem de um composto de amina encontrado no peixe. O processo afirma que ele teria penetrado nas instalações de materiais porosos, "como o piso de concreto, as paredes de gesso, telhas e dutos."
"O cheiro é bem ruim", disse um dos sócios da FIP ao canal de TV CBS. "Você não pode fazer o que quiser e destruir a propriedade."
As duas empresas concordaram em contratar companhias que pudessem avaliar a situação. A ServPro, a serviço da Heinz, definiu que eliminar os odores da fábrica custaria US$ 122 mil (R$ 381 mil), embora não fosse possível garantir o fim permanente do mau cheiro.
Para a FIP, no entanto, o custo é bem maior: a empresa alega que o fedor não é o único problema deixado pela Heinz. De acordo com a ação, a propriedade alugada também sofreu danos externos e internos. A fabricante de condimentos ainda teria deixado alguns equipamentos para trás, fazendo com que os custos também incluíssem sua retirada.
O grupo G. Williams, contratado pela companhia, avaliou que os recursos necessários para os reparos somariam US$ 1 milhão (R$ 3,12 milhões). Nada foi feito, no entanto, pela Heinz, para corrigir os problemas, afirmam os investidores.
A FIP afirma ainda que a Heinz teria encerrado o contrato de aluguel da propriedade antes do previsto. Por isso, o grupo pede, no processo, uma compensação pelas parcelas que deixaram de ser pagas e pelos reparos que terão de ser feitos no local, além de uma indenização por danos.
FUSÃO
A Heinz anunciou no fim de março a fusão com a Kraft Foods, em negócio que envolveu o trio de brasileiros do fundo 3G Capital --Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira-- e o megainvestidor Warren Buffett.
A operação cria um gigante de US$ 28 bilhões de faturamento. A empresa nasce como a terceira maior de alimentos e bebidas dos EUA e a quinta no mundo, com cerca de 50 mil funcionários.
Os acionistas da Heinz terão 51% da empresa, que receberá ainda um investimento de US$ 10 bilhões do 3G e da Berkshire Hathaway, holding de Buffett, a segunda pessoa mais rica do mundo.
O comando da nova empresa estará nas mãos do brasileiro Bernardo Hees, que já é o atual presidente da Heinz.

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