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Protesto da CUT contra terceirização em SP vira ato em favor da saúde

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MARINA DIAS, GUSTAVO URIBE, ARTUR RODRIGUES E JULIANA CUNHA
SÃO PAULO, SP, E SALVADOR, BA (FOLHAPRESS) - O protesto convocado pela CUT (Central Única dos Trabalhadores) e por diversos movimentos sindicais e sociais contra o projeto que amplia a terceirização em empresas e órgãos públicos no país reuniu nesta terça-feira (7), em São Paulo, bem menos manifestantes do que o previsto pela organização, e acabou virando um ato em defesa da saúde.
Apesar de ser uma manifestação com viés trabalhista -e com bandeiras como a defesa da democracia e da Petrobras-, o que se viu foi um protesto pela defesa do SUS (Sistema Único de Saúde) e da saúde pública.
No dia 7 de abril é comemorado o Dia Mundial da Saúde. O sindicato do setor havia convocado um ato que foi aderido pela CUT.
Os organizadores previam que 10 mil pessoas fossem à manifestação na capital paulista, que começou em frente ao Hospital das Clínicas e terminou na praça da República, região central da cidade. No fim do ato, no entanto, a CUT dizia que eram mil pessoas participando, enquanto a Polícia Militar estimava 400 manifestantes.
No protesto de 13 de março, segundo o Datafolha, 41 mil participaram de ato na capital paulista com centrais sindicais e movimentos sociais em defesa da Petrobras e da presidente Dilma Rousseff.
Poucas lideranças, porém, estiveram presentes nesta terça (7). Representantes da UNE (União Nacional dos Estudantes) e do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), que também convocaram para o protesto, não compareceram.
O presidente da CUT em São Paulo, Adi dos Santos, justificou a pouca adesão ao protesto. Segundo ele, o ato foi menor do que o esperado porque a direção nacional da central sindical decidiu enviar manifestantes para Brasília, onde o PL 4330, sobre a terceirização, deve ser votado ainda nesta terça na Câmara dos Deputados.
Adi afirma que, caso a proposta seja aprovada em primeira votação, as centrais e os movimentos sociais vão intensificar os protestos. "A CUT não vai defender esse projeto de jeito nenhum", disse.
OUTROS LOCAIS
Houve protestos em pelo menos outras dez cidades, como Porto Alegre, Fortaleza, Maceió, Salvador e João Pessoa. Nos aeroportos, os manifestantes abordaram parlamentares que se dirigiam a Brasília cobrando o veto à ampliação da terceirização.
Trabalhadores ainda fizeram manifestações em São José dos Campos e em Jacareí, ambas cidades no interior de São Paulo, nas portas das fábricas da GM, da Embraer e da Chery.
Na capital gaúcha, os manifestantes de centrais sindicais e de movimentos sociais também fizeram uma panfletagem no centro da cidade pela manhã. Um grupo de cerca de 50 pessoas foi até a Assembleia Legislativa e permanecia dentro da Casa até o início da tarde desta terça. Uma comissão de sindicalistas foi recebida pelo presidente da Assembleia, Edson Brum (PMDB).
Em João Pessoa, os manifestantes convocaram novo protesto para a próxima terça-feira (10), quando o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), deve visitar o Estado. "Vamos protestar contra a posição conservadora que ele tem em relação aos trabalhadores e contra a reforma política proposta pelo PMDB", disse Marcos Henriques, dirigente da CUT-PB.
Em Salvador, os sindicalistas que estavam no aeroporto não conseguiram abordar o relator do PL 4330, deputado Arthur Maia (SD-BA), que foi a Brasília na segunda (6). "Ele driblou a gente e viajou com antecedência. Não quis enfrentar o embate conosco", disse o presidente da CUT-BA, Cedro Costa e Silva.
À reportagem, Maia disse que riu muito do protesto. "Dei muita risada. Uma manifestação que reúne apenas 400 pessoas em São Paulo deve ser considerada um grande fracasso", afirmou.
FGTS
O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, esteve reunido na manhã desta terça (7) com Eduardo Cunha para tratar do projeto. A preocupação do governo é em relação à queda na arrecadação do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) e nas contribuições previdenciárias das empresas que ampliarem o quadro de funcionários terceirizados.
Paulo Skaf, presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), defende que a terceirização irá ampliar o número de empregos no país.
"Em nível Brasil, a regulamentação da terceirização poderá gerar 3 milhões de novos empregos. Sem quebra à CLT, mais empregos formais!", escreveu, no Twitter. O mesmo é defendido pela CNC (Confederação Nacional do Comércio).

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