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Dólar sobe e fecha em R$ 3,305, o maior valor em quase 12 anos

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Dólar sobe e fecha em R$ 3,305, o maior valor em quase 12 anos
Autor Foto: Reprodução

O dólar bateu em R$ 3,30 nesta quinta-feira (19) e fechou no maior valor em quase 12 anos pressionado pela tensão entre o governo e Congresso Nacional. Após a demissão de Cid Gomes, do ministério da Educação, os investidores temem que fica cada vez mais difícil aprovar um ajuste relevante nas contas do governo.
O dólar à vista, referência no mercado financeiro, terminou esta quinta (19) em alta de 1,19%, a R$ 3,305, o maior valor desde 1º de abril de 2003. O dólar comercial teve valorização de 2,58%, para R$ 3,296, também no maior patamar desde 1º de abril de 2003. Na máxima, a moeda atingiu R$ 3,307.
O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, caiu 1,11%, a 50.953 pontos, quebrando uma sequência de três altas. Das 68 ações negociadas, 46 caíram, 20 subiram e duas se mantiveram inalteradas.
Na quarta (18), o preço da moeda americana havia caído diante da avaliação do banco central dos EUA de que a economia daquele país está se recuperando em um ritmo moderado, indicando que não deve subir juros no curto prazo.
O fator de maior peso nesta sessão, de acordo com analistas ouvidos pela reportagem, foi a demissão de Cid Gomes do Ministério da Educação, após críticas a parlamentares. A avaliação é que o episódio tumultuou ainda mais o já conturbado relacionamento entre governo e Congresso.
CRISE POLÍTICA
A avaliação inicial dos analistas foi de que a demissão de Cid Gomes aceleraria a reforma ministerial que o governo estaria pensando em fazer para agradar sua base de aliados no Congresso. "Isso seria positivo para o governo, pois poderia melhorar a articulação com a base aliada", diz Ignácio Rey, economista da Guide Investimentos.
Ainda durante a manhã desta quinta (19), porém, a presidente Dilma Rousseff descartou fazer uma reforma ministerial e afirmou que não usará um critério partidário para nomear o substituto de Cid Gomes na Educação.
"A decisão pode causar mais fragilidade da articulação política em um cenário já desafiador", ressalta Rey. "Agora, a moeda retoma uma tendência de alta que deve se manter no curto prazo", completa.
ATUAÇÕES DO BC
As dúvidas sobre o fim do programa de intervenção do Banco Central também pesaram na alta da moeda americana. Na quarta-feira, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, afirmou que a autoridade monetária ainda não definiu sobre a continuidade das intervenções no mercado de câmbio por meio do programa de leilões de contratos de "swap cambial" (que equivalem a uma venda futura de dólares).
"O término do programa tende a gerar uma pressão adicional de alta sobre o dólar. Isso deve ser definido no dia 24, quando o Tombini comparecerá no Senado. O fim do programa, na nossa avaliação, é bastante provável", diz Ignácio Rey, da Guide.
No mercado brasileiro, Banco Central deu sequência nesta quinta às vendas de contratos de swap cambial que tem sido feitas normalmente, segundo programa de intervenções no mercado já em vigor.
EUA
A alta do dólar ocorreu na contramão da maioria das principais moedas emergentes, que se apreciaram em relação à divisa americana ainda sob efeito da ata do Fed (BC dos EUA). Das 24 principais moedas emergentes, 17 se valorizaram ante o dólar nesta sessão.
Na quarta-feira, o Fed indicou preocupação com o crescimento moderado da economia americana e sinalizou que só elevará as taxas de juros quando sentir uma recuperação sólida dos Estados Unidos.
"Os mercados receberam bem a indicação de que, quando o Fed começar a subir os juros, vai fazer isso de uma forma responsável, e não brusca, o que poderia causar muita instabilidade no mercado", diz André Moraes, analista da corretora Rico.
Nesta quinta, foram divulgados dados de auxílio-desemprego nos EUA, mostrando que os pedidos cresceram levemente na semana passada. Isso indica que o mercado de trabalho americano continua em terreno sólido, apesar da desaceleração no crescimento econômico.
Os pedidos iniciais de auxílio-desemprego subiram de 290 mil para 291 mil, segundo dados ajustados sazonalmente, informou o Departamento de Trabalho nesta quinta-feira.
BOLSA
A tensão política impactou a Bolsa nesta sessão, embora os investidores também tenham aproveitado para embolsar lucros obtidos nos três pregões anteriores.
Destaque para as ações da Petrobras, que fecharam em baixa após três altas fortes. Os papéis preferenciais, mais negociados e sem direito a voto, caíram 3,99%, para R$ 8,90. As ações ordinárias, com direito a voto, sofreram desvalorização de 4,40%, para R$ 8,69.
A queda das ações acompanhou a desvalorização do preço do petróleo no mercado externo.
Vale e siderúrgicas foram afetadas pela desvalorização do preço do minério de ferro no exterior. As ações preferenciais da Vale caíram 1,07%, para R$ 16,60. As ações ordinárias tiveram baixa de 2,25%, para R$ 19,15. O minério caiu pelo terceiro dia seguido e já acumula desvalorização de 4,6% na semana.

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