Economia

Dólar tem maior alta diária em um ano e meio, e chega a R$ 2,684

Da Redação ·
Foto: arquivo
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SÃO PAULO, SP - O dólar teve nesta sexta-feira (30) sua maior alta diária em um ano e meio, com o mercado interpretando fala do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, como uma sinalização de que o governo será mais passivo no câmbio do que tem sido nos últimos meses.

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A moeda americana à vista, referência no mercado financeiro, fechou o dia em alta de 2,74% sobre o real, cotada em R$ 2,684 na venda. Foi a maior valorização diária desde 20 de junho de 2013, quando avançou 3,42%. No mês, o ganho chegou a 1,36%. Já o dólar comercial, usado no comércio exterior, teve alta de 2,94% no dia e de 1,15% no mês. O ganho diário foi o maior desde setembro de 2011.

A saída de investidores estrangeiros do país, diante do agravamento da crise na Petrobras, também pressionou a cotação do dólar, segundo operadores. O mesmo ocorreu com o crescimento da economia americana abaixo do esperado.

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O PIB dos EUA subiu 2,6% no quarto trimestre de 2014, frustrando expectativas de avanço em torno de 3%, o que estimulou uma procura mais intensa pelo dólar, considerado uma aplicação "de menor risco", forçando o preço para cima.

Houve ainda a "briga" pela formação da Ptax (taxa de câmbio média mensal, calculada pelo Banco Central no último dia útil de cada mês, que baliza o fechamento de contratos cambiais).


LEVY

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Em evento promovido pelo grupo Bradesco em São Paulo, o ministro da Fazenda disse que vê a taxa de câmbio atual como sobrevalorizada e que o governo não tem intenção de manter o real "valorizado artificialmente."

"Foi um sinal que o governo pretende ser mais passivo no câmbio neste ano. É uma coisa que eu defendo há muito tempo. Quando o regime de câmbio é flutuante, é preciso deixar o mercado livre, com o BC atuando só eventualidade. Não é o que tem acontecido", diz Tarcísio Joaquim, diretor de câmbio do Banco Paulista.

Segundo ele, a autoridade monetária brasileira foi "sábia" ao ampliar sua atuação no mercado futuro em 2013, quando a retirada de estímulos nos EUA ameaçavam desvalorizar as moedas emergentes, uma vez que esse mercado concentra cerca de 70% da liquidez do câmbio no país. Mas o diretor de câmbio avalia que essas intervenções já deveriam ser menores.

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O Banco Central atua diariamente no câmbio desde agosto de 2013, com intenção de limitar a volatilidade do mercado. A autoridade reduziu o ímpeto das intervenções duas vezes, a mais recente no fim do ano passado. E, sob o atual formato, o programa durará pelo menos até 31 de março deste ano, com ofertas diárias de até 2.000 contratos de swaps cambiais, que equivalem a venda futura de dólares.

Nesta sexta-feira (30), o BC do Brasil deu continuidade ao seu programa de intervenções, leiloando 2 mil contratos de swap por US$ 99 milhões. O BC ainda não anunciou o início da rolagem de swaps que vencem em 2 de março, que equivalem a US$ 10,438 bilhões. A autoridade vem realizando rolagens praticamente integrais nos últimos quatro meses.

Para Guilherme da Nóbrega, economista-chefe da Guide Investimentos, mais do que a sinalização de Levy sobre as intervenções do governo no câmbio, também é preciso se atentar para o ajuste fiscal que tem sido colocado em prática pelo novo ministro da Fazenda.

"Há uma meta grande com este ajuste, mas não sabemos até que ponto o governo vai conseguir entregar. Isso pesa na cotação da moeda americana", diz. A avaliação do economista é que o recente programa de estímulo europeu, somado ao incentivo que o BC japonês mantém, pode abrir uma brecha para que o Banco Central do Brasil reduza suas intervenções no câmbio em 2015.

Mas isso dependerá de "fatores maiores", segundo Julio Hegedus, economista-chefe da Lopes Filho. "Pode ser que o ajuste fiscal que está sendo promovido atrase ou cancele um rebaixamento do rating soberano do Brasil, o que seria bom para o câmbio. Caso contrário, se houver um corte na nota do país, a pressão deverá ser ainda maior", afirma.