Economia

Dólar alto beneficia indústria de carros no longo prazo, diz Anfavea

Da Redação ·
O setor vive queda no ritmo de produção e vendas, e tem apostado em estratégias mais ousadas de varejo - Foto: Divulgação
O setor vive queda no ritmo de produção e vendas, e tem apostado em estratégias mais ousadas de varejo - Foto: Divulgação

SOFIA FERNANDES

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BRASÍLIA, DF - O presidente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), Luiz Moan, afirmou nesta quarta-feira (29) que a disparada do dólar aumenta os custos de produção de veículos no curto prazo, porém favorece a competitividade da indústria brasileira e as exportações no médio e longo prazo.

"O dólar [alto] tem dois efeitos: no curto prazo, ele aumenta nosso custo de produção, tendo em vista a importação de peças e componentes. No longo e médio prazo, estimula a competitividade e possibilita exportações."

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Moan esteve na manhã desta quarta com o secretário de Política Econômica da Fazenda, Márcio Holland. Segundo ele, foi uma reunião sobre conjuntura e avaliação das vendas, que neste ano crescem a um ritmo inferior a 2013.

O setor vive queda no ritmo de produção e vendas, e tem apostado em estratégias mais ousadas de varejo neste fim de ano, com redução de juros para pessoas físicas em várias concessionárias do país.

Assim, o setor espera compensar em partes o desempenho ruim do primeiro semestre, com demanda desaquecida no país e exportações em declínio, principalmente para o maior comprador de carros do Brasil, a Argentina.

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Segundo Moan, as vendas de Natal devem melhorar o desempenho do setor em 2014, mas ainda será um fim de ano pior do que o de 2013. No entanto, ele diz esperar um 2015 melhor.

Segundo Moan, ainda não foi conversado se o IPI reduzido para carros, que tem prazo até dezembro, será prorrogado. "Sou extremamente favorável à redução da carga tributária, todos nós somos", defendeu.

ETANOL

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Sobre o aumento do etanol na mistura da gasolina de 25% para 27,5%, Moan afirmou que as montadoras e o laboratório da Petrobras estão em trabalho conjunto sobre os impactos da alta da mistura nos carros.

Veículos a gasolina movidos com combustível com mistura maior passaram em testes de desempenho encomendados pelo governo, disse a Reuters nesta terça-feira (28), citando fontes ligadas ao assunto.

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O Planalto aguarda a conclusão de novos estudos sobre emissões de gases para tomar uma decisão sobre a mudança no limite superior do percentual utilizado do biocombustível no Brasil. O atual limite superior da mistura é de 25% de etanol anidro na gasolina.

O aumento do teto para até 27,5% já foi sancionado pela presidente Dilma Rousseff, mas a efetiva decisão de aumentar a taxa de etanol na gasolina depende, segundo a lei, da comprovação da viabilidade técnica.

Não houve problemas para o funcionamento dos veículos nos testes conduzidos pelo Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes), segundo essa fonte do governo, que preferiu não ser identificada. Os testes estavam previstos para serem feitos com veículos da Volkswagen e da Hyundai.

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O único problema constatado até agora, acrescentou a fonte, foi um aumento da emissão de gases à base de nitrogênio e oxigênio (NOx), que poderiam ter efeitos nocivos à saúde em quantidades muito elevadas.

A indústria já disse ser contrária a uma mistura maior argumentando que boa parte da frota ainda usa apenas gasolina no Brasil, e não estaria tecnicamente preparada para a mudança.

A eventual alteração, contudo, é vista pela indústria sucroalcooleira como forma de aliviar a crise vivida pelo setor. O etanol anidro é um dos produtos com melhor remuneração das usinas.

Ao governo também interessa a nova mistura pelo potencial de reduzir as importações de combustíveis fósseis pela Petrobras, que está com o caixa pressionado pela defasagem nos preços da gasolina em relação ao mercado externo.

A fonte ouvida pela Reuters afirmou que o aumento verificado nessas emissões foi pequeno, ainda dentro dos limites –mas, mesmo assim, gerou preocupações, principalmente da área ambiental do governo. No caso de outros gases, como o CO2 e o monóxido de carbono, o aumento da mistura causou redução de emissões.

Somente após a conclusão dessa análise mais detida sobre a emissão de NOx é que o governo tomará uma decisão.