Economia

Teremos várias medidas de estímulo à indústria, diz secretário da Fazenda

Da Redação ·
"Podemos esperar que a economia vai ficar cada vez melhor", disse. - Foto: Divulgação
"Podemos esperar que a economia vai ficar cada vez melhor", disse. - Foto: Divulgação

SOFIA FERNANDES

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BRASÍLIA, DF - Após a presidente Dilma sinalizar, em seu discurso da vitória, que pretende dar mais impulso à atividade econômica, em especial ao setor industrial, o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Paulo Caffarelli, afirmou que haverá "várias" medidas de estímulo à indústria.

O secretário não deu detalhes de que medidas podem ser anunciadas e entrou apressado no prédio do ministério, na manhã desta segunda-feira (27).

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"Podemos esperar que a economia vai ficar cada vez melhor", disse.

O ministro Guido Mantega chegou à sede do ministério nesta manhã sem falar muito. "Estou rouco de tanto aplaudir", disse.

A presidente Dilma já definiu que Mantega estará fora da pasta em seu segundo mandato e que haverá reformulação na equipe econômica. Mas está nas mãos do atual time fazer a transição e dar encaminhamento a questões importantes, como a alta inflação, o dólar em disparada, a meta pouco factível de superavit fiscal para o ano e de crescimento da produção.

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AUTOMÓVEIS

A primeira reunião oficial da equipe econômica depois do resultado das urnas foi com o presidente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos), Luiz Moan.

Ele esteve com o secretário Caffarelli para apresentar dados de conjuntura. O setor, que representa um quarto do setor industrial brasileiro, vive um ano difícil, com queda nas vendas e na produção em relação ao ano passado.

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Questionado se já é tempo de fazer negociações, Moan afirmou que é preciso ter paciência.

"Precisamos ter paciência. A eleição terminou ontem. Vamos esperar a presidenta Dilma estruturar e descansar primeiro, inclusive."

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Moan defendeu mais estímulo ao mercado interno. "A riqueza do país provém do mercado interno. Todo estímulo ao mercado interno é muito bem vindo."

Esse ano, o governo atuou para tentar aquecer a demanda interna por carros. Prorrogou a redução de IPI para veículos e incentivou os bancos a ampliar em 20% os empréstimos para compra de carros, por exemplo.

Segundo Moan, o segundo semestre do setor está melhor do que o primeiro, mas é difícil que o Natal desse ano supere em vendas o do ano passado. "É difícil, porque ano passado tivemos um volume muito grande de comercialização, vamos trabalhar para que seja igual."

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Reportagem da Folha de S.Paulo publicada nesta segunda-feira (27) informa que, com estoques cheios e concessionárias vazias, as montadoras têm buscado alternativas para reverter o fraco desempenho do setor, refletido na diminuição da produção e na adoção de medidas como férias coletivas, suspensão de contratos e demissões.

Entre as estratégias pensadas pelo setor está um plano de varejo mais agressivo em cidades brasileiras de menor porte, que puxaram as vendas de carros nos últimos anos, além de acordos automotivos com países da América Latina e África.

ACORDOS

Moan afirmou que na próxima semana uma comitiva da Colômbia vem ao Brasil tratar dos termos de um possível acordo automotivo. O setor amarga queda de vendas para Argentina, o principal comprador de carros do Brasil, que vive uma grave crise econômica.

Segundo ele, há interesse em fazer uma integração produtiva e comercial com países como Colômbia e México, envolvendo autopeças e veículos. O Brasil já tem acordo com o México, mas vence em março de 2015.