Economia

Dieese: SP perde 101 mil vagas formais em maio

Da Redação ·

A eliminação de postos de trabalho com carteira assinada pelo setor privado na Região Metropolitana de São Paulo chamou a atenção dos coordenadores da Pesquisa de Emprego e Desemprego da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) e do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). No mês de maio, 101 mil vagas desse tipo foram fechadas em São Paulo, enquanto 33 mil foram abertas pelo setor privado sem carteira assinada e 31 mil pessoas se somaram ao contingente de autônomos. "A redução do assalariamento com carteira em São Paulo ocorreu numa proporção muito grande", disse a coordenadora do Dieese, Patrícia Lino Costa. "Foi uma redução muito concentrada em São Paulo e que não se verificou nas outras regiões metropolitanas da pesquisa, exceto em Belo Horizonte, onde 16 mil postos de trabalho desse tipo foram eliminados", declarou o coordenador da fundação Seade, Alexandre Loloian.

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De acordo com ele, o quadro reflete uma relativa incerteza dos agentes econômicos em relação ao curto prazo. "São Paulo reage de forma muito mais rápida aos estímulos e sinais do mercado", explicou, citando o aumento das expectativas de inflação no País, o aumento da taxa de juros, o câmbio e a crise em alguns países da Europa. Na avaliação de Loloian, porém, esse cenário não indica uma tendência de redução dos níveis de ocupação para os próximos meses. "Todos os demais sinais, como o desempenho da economia e o nível de atividade, estão positivos", afirmou ele. "O cenário ainda é muito positivo, com investimentos que se revertem no crescimento das ocupações na construção civil e na indústria em quase todas as regiões", disse Patrícia. "Nesse mês tivemos uma parada nas contratações, mas nada indica uma mudança nas expectativas sobre o País em 2010."

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No mês de maio, de acordo com os coordenadores, ocorreram dois movimentos inesperados. "O nível de ocupação caiu quando normalmente cresce e a população que se apresentou ao mercado de trabalho procurando emprego se reduziu, quando normalmente aumenta", disse Loloian. De acordo com ele, isso explica a estabilidade das taxas de desemprego em São Paulo, de 13,3% em maio, e em sete das principais regiões metropolitanas do País, de 13,2%. O desemprego caiu em Belo Horizonte, para 9,6% em maio ante 9,9% em abril; Recife para 18,3% ante 18,8%; e em Salvador para 18,2% ante 19%. O desemprego ficou quase estável no Distrito Federal, em 14,3% ante 14,2% em abril; e estável em Fortaleza, em 10,6%, mesmo resultado de abril; Porto Alegre, em 9,6%, mesmo resultado do mês anterior; e em São Paulo, em 13,3%, igual ao resultado de abril.

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O nível de ocupação nas sete regiões metropolitanas caiu 0,2% em maio ante abril, o que resultou na eliminação de 32 mil postos de trabalho. Entre os setores, a indústria teve alta de 0,5%, com a criação de 14 mil postos de trabalho; o comércio teve redução de 1,8%, com a perda de 57 mil vagas, concentradas principalmente em São Paulo; serviços registrou alta de 0,5%, com 50 mil postos a mais; a construção civil teve queda de 1,7%, com 21 mil postos de trabalho a menos; e o agregado outros serviços caiu 1,1% com 18 mil vagas a menos.

Na comparação interanual, os resultados são mais positivos. A taxa de desemprego em São Paulo era de 14,8% em maio de 2009 e, a do conjunto das sete regiões, 15,1%. O nível de ocupação no conjunto das regiões aumentou 3,6% em relação a maio de 2009, com a criação de 666 mil postos de trabalho. A indústria teve alta de 8,6%, com 237 mil postos criados; o comércio, crescimento de 5% e criação 148 mil vagas; serviços, alta de 2,1% e 211 mil novas vagas; construção civil, avanço de 9,4% e 105 mil novos empregos. A única queda se verificou no agregado outros serviços, com redução de 2,2% e 35 mil postos a menos. A taxa de desemprego caiu em todas as sete regiões metropolitanas. No Distrito Federal ela era de 17% em maio de 2009. Em Belo Horizonte, de 11%; em Fortaleza, de 12,5%; em Porto Alegre, de 12,6%; no Recife, de 20,4%; em Salvador, de 21,6%; e em São Paulo, de 14,8%.