Piora do emprego já se traduz em freada na renda da indústria

RIO DE JANEIRO, RJ - Após quase três anos consecutivos de fechamento de vagas na indústria, os rendimentos dos trabalhadores do setor já sinalizam deterioração e não se mostram resistentes à piora do mercado de trabalho industrial.
A folha de pagamento dos empregados da indústria caiu 3,4% em julho na comparação com o mesmo período de 2013.
Foi a segunda perda seguida nessa base de comparação. Com o resultado, a renda do setor acumula uma alta de apenas 0,6% de janeiro a junho.
Trata-se de um ritmo bem mais moderado do que o aumento do rendimento na indústria nos últimos anos.
Em 2013, a renda avançou 1,3%, já num patamar inferior aos 4,4% de 2012, segundo dados do IBGE.
Para especialistas, a renda seguia em alta, apesar do fraco desempenho do emprego, em razão dos custos elevados para demitir e de treinar novos trabalhadores.
Outros fatores que mantinham os rendimentos em alta eram a previsão de que alguma recuperação da produção ainda estava por vir e a concorrência por trabalhadores como ramos mais dinâmicos, como o de serviços.
Com a sinalização cada vez mais clara que de a indústria não irá decolar tão cedo num cenário de juros elevado, crédito escasso e consumo em forte desaceleração, os empresários aceleraram as demissões.
Em relação a julho de 2013, o emprego industrial caiu 3,6%. Foi o trigésimo quarto resultado negativo consecutivo nesse tipo de confronto e o mais intenso desde novembro de 2009 (-3,7%), de acordo com o IBGE.
De junho para julho, a perda de 0,7% consistiu no quarto resultado negativo seguido.
SETORES
Nesse contexto, empresários, dizem especialistas, não conseguem mais conter as dispensas neste ano principalmente em setores nos quais a mão de obra tem um peso maior no custo total de produção.
Pelos dados do IBGE, os setores que lideram as demissões são os que sofrem mais concorrência com produtos importados ou dependem de exportações, além dos que estão vinculados aos investimentos -destaque negativo no PIB dos dois primeiros trimestres deste ano.
Dentre as maiores perdas no emprego acumulado deste ano, destacam-se calçados e couro (7,7%), têxtil (5,1%), vestuário (2,6%), metalurgia (2,8%), produtos de metal (6,7%) e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicação (6,7%).
Todos são afetados pela piora da competitividade com importados ou sofrem para exportar, num cenário de grande oferta de produtos no cenário mundial.
Já sob efeito da retração dos investimentos, o emprego caiu 5% e 3,7%, respectivamente, nos ramos de máquinas e equipamentos e meios de transporte (veículos e caminhões).
A piora do emprego se reflete no rendimento. As maiores perdas, por setores, de janeiro a julho foram registradas pelos ramos de aparelhos eletroeletrônicos e de comunicação (4,3%), madeira (3,7%), produtos de metal (3,6%) e calçados e couro (3%).
