Economia

Reajustes de energia colocam em risco teto da meta de inflação

Da Redação ·
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fonte: Foto: Carlos Severo / Fotos Públicas
Reajustes de energia colocam em risco teto da meta de inflação

RIO DE JANEIRO, RJ - Os primeiros dados da inflação oficial de junho (medidos pela prévia do IPCA, o IPCA-15) mostram que os preços estão, de modo geral, comportados e a tendência de queda dos alimentos tende a se intensificar, o que assegura uma taxa ainda menor para o IPCA fechado de julho -a ser divulgado no início de agosto.

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O IPCA-15 registrou alta de 0,17% em julho, segundo o IBGE (Instituto Brasileira de Geografia e Estatística) informou nesta terça (22). A taxa acumulada em 12 meses ficou em 6,51%.

Mas a trégua do avanço dos preços é passageira e ainda há risco de estouro da meta do governo neste ano (6,5%), segundo analistas. E um dos itens de maior incerteza é a energia elétrica, que pode ser o fiel da balança.

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A energia já foi o principal impacto de alta no índice prévio de junho e deve avançar ainda mais até o fim do ano, com a previsão de novos reajustes.

Com o reajuste de 18% das tarifas da Eletropaulo (as de maior peso no IPCA), a energia elétrica subiu 1,35% no IPCA-15 de julho. A previsão é de que esse aumento seja ainda mais intenso no IPCA fechado, já que parte do aumento não foi ainda incorporado pelo IPCA-15.

Com altas maiores neste ano por conta dos reajustes mais salgados autorizados pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) neste ano para a maioria das distribuidoras em razão do custo extra da energia com o uso mais intensivo das térmicas, a energia subiu 6,39% neste ano -acima do IPCA-15 até julho (4,17%).

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Em 12 meses, a energia residencial soma uma alta de 7,95%, acima dos 6,51% do índice geral -que neste mês rompeu o teto da meta e se situou no maior patamar desde junho de 2013.

O indicador acumulado mostra que o benefício da redução das tarifas de energia em 16% no ano passado já ficou para trás diante da necessidade de reajustes maiores para as distribuidoras não quebrarem com o aumento do custo da energia comprado das usinas.

E os aumentos só não são maiores porque o governo federal empurrou a maior parte da conta para 2015 e 2016, depois das eleição presidencial deste ano. O diretor-geral da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), Romeu Rufino, confirmou nesta terça-feira (22) a operação do governo para injetar mais R$ 6,5 bilhões no setor elétrico por meio de financiamento bancário e do estatal BNDES. No início do ano, as distribuidoras de energia tiveram acesso a um empréstimo bancário de R$ 11,2 bilhões.

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Segundo analistas, essa conta será paga pelo consumidor a partir do ano que vem e a inflação de 2015 já entrará o ano com esse "peso adicional".

A inflação também só não superará a meta deste ano porque outros preços controlados pelo governo foram contidos neste ano eleitoral -algo que costuma ser praxe em todos os anos de pleitos. Um dos exemplos é a tarifa de ônibus, congeladas em importantes capitais, como São Paulo.

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Também não aumentaram o preços das passagens Recife, Distrito Federal, Fortaleza, Salvador e Curitiba. Com isso, os ônibus subiram 3,48% neste ano, abaixo da inflação média.

A expectativa é que esses aumentos repressados também ocorram em 2015, segundo analistas. Ônibus e energia são dos itens de maior peso no orçamento das famílias.

Outra ajuda à inflação deste ano foram os descontos para quem consume menos água em São Paulo em razão da seca do principal reservatório que abastece as regiões metropolitanas de São Paulo. A taxa de água e esgoto registra queda 3,84% neste ano até julho, sob o impacto da forte retração de 27,01% das contas em São Paulo.


PREVISÕES

Apesar dessa contenção de reajustes de preços e tarifas administradas, as consultorias esperam um IPCA muito perto do teto da meta neste ano. A Rosenberg & Associados prevê 6,3% -e conta com a freada dos alimentos para tal.

A LCA espera uma taxa baixa também no IPCA fechado em junho (0,07%) diante da expectativa de queda de artigos de vestuário com as liquidações, nova deflação de alimentos e de de passagens aéreas, além do recuo dos preços de serviços pessoais -ambos num refluxo após os aumentos durante a Copa.

Em junho, só os grupos habitação (alta de 0,48%, puxada por energia) e despesas pessoais (1,74%, impulsionada por hotéis) registraram taxas superior às de junho, segundo o IPCA-15.