Economia

Vendas de veículos e construção caem

Da Redação ·
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fonte: Foto: arquivo
Vendas de veículos e construção caem

RIO DE JANEIRO, RJ - Ao olhar apenas o varejo "clássico", aquele que vende seus produtos apenas para consumidores pessoa física, os dados do IBGE de maio surpreenderam de modo positivo e a expansão de 0,5% ficou acima das previsões do mercado. Analistas apostavam numa taxa muito próxima da estabilidade na comparação com abril -entre 0,1% e -0,1%.

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Numa visão mais ampla, dois setores de peso na economia e com repercussões relevantes para o PIB (Produto Interno Bruto) foram o destaque negativo: veículos, cujas vendas caíram 1,9%, e material de construção (-0,3%).

Os dois ramos integram o chamado comércio varejista ampliado por venderem também por atacado a empresas, ao lado dos demais ramos do "varejo puro".

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Nesse indicador, o IBGE constatou uma queda de 0,3% diante das perdas desses dois importantes ramos.

Com o crédito escasso e mais caro e o apetite menor de consumidores e empresários para comprarem e investimentos (em construções ou na compra de caminhões, por exemplo), esses dos setores são mais afetados, já que seus produtos são de maior valor e, em geral, adquiridos a crédito.

Na comparação com maio de 2013, por exemplo, as vendas de veículos caíram 6,3% em maio. Foi a terceira retração mensal consecutiva nessa base de comparação. As distribuidoras já acumulam uma queda de 5,6% neste ano.

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EFEITO PREÇO

Esses dois importantes ramos foram, porém, "um ponto fora da curva" do desempenho global do comércio em maio. Os demais oito setores do varejo "puro" registraram crescimento de abril para maio, em grande medida diante do arrefecimento dos reajustes de preços -ou, em alguns casos, da redução do custo dos produtos.

Estão nessa lista o comércio de alimentos e bebidas (0,1%), vestuário (0,5%) e móveis e eletrodomésticos (1,8%) -o que mais contribuiu para o aumento das vendas do varejo.

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Para a LCA, o aumento desse ramo reflete "a resposta dos consumidores às liquidações de televisores realizadas pelos grandes varejistas sob o pretexto da Copa do Mundo".

A consultoria diz que os outros dois também reagem aos preços em menor aceleração ou em queda.

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Para junho, a LCA espera ainda um bom desempenho do comércio, o que não deve se repetir nos meses seguintes diante do menor ímpeto do emprego. "Vale ressaltar que as condições do mercado de trabalho não apontam para um crescimento sustentado do varejo nos próximos meses", diz a consultoria, em relatório.

Já a Rosenberg & Associados afirma, em nota, que, exceto em maio, há uma perda de ritmo do comércio nos últimos meses. "Essa tendência deve se aprofundar com a realização da Copa do Mundo em junho [em razão do menor número de dias úteis].

A consultoria diz que só supermercados e móveis e eletrodomésticos "podem ter sido marginalmente beneficiados" com vendas maiores por conta da Copa.

A LCA manteve sua projeção de crescimento de 3,5% do comércio neste ano -abaixo dos 4,3% de 2013. A Rosenberg reduziu sua previsão para de 4% para 3,5% neste ano e diz que o resultado irá afetar o PIB do segundo trimestre, já que o ganho de maio não deve compensar a perda de abril nem a previsão negativa para junho.

"Os resultados preliminares divulgados a respeito do desempenho das vendas durante a realização da Copa do Mundo, os feriados em diversas cidades-sede são sinais de que essa moderação deve continuar sendo observada nos próximos resultados."