Economia

Nem Copa livra indústria de um fraco desempenho em 2014

Da Redação ·
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fonte: Foto: arquivo
Nem Copa livra indústria de um fraco desempenho em 2014

RIO DE JANEIRO, RJ - A indústria crescerá pouco neste ano, preveem analistas. Com alguma sorte, a ajuda da Copa e uma aceleração incerta no segundo semestre, sua produção conseguirá crescer, no máximo, 1% neste ano.

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A LCA, por exemplo, revisou sua previsão e passou a estimar uma queda de 0,3%. Em 12 meses, o setor fechou com expansão de 1,2% até abril.

Até março, o quadro era melhor: alta de 2,1%.

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O IBGE divulgou nesta quarta (4) que a indústria recuou 0,3% em abril sobre março. Na comparação com abril de 2013, a queda é de 5,8%, a maior desde setembro de 2009.

O cenário ruim é baseado especialmente num empresariado pessimista, que investe menos no aumento da produção e vislumbra uma economia mais fraca neste ano, com o consumo retraído diante de inflação maior, juros elevados e crédito escasso e caro.

Nesse contexto, a Copa é apenas um "brisa" de melhora. De março para abril, alguns poucos ramos tiveram um desempenho mais favorável, um pouco sob impacto do evento.

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Na lista estão alimentos e bebidas, setor que inverteu as quedas de meses anteriores e avançou 2,6%, após uma queda de 1,3%.

"O saldo é ainda negativo e o crescimento foi baseado em produtos específicos, como a carne", diz André Macedo, gerente da pesquisa de Indústria do IBGE.

Sabe-se que o churrasco é tradicional durante a Copa, mas talvez o maior impacto venha mesmo da exportação do produto -a carne é dos itens de maior peso nos alimentos e com grande participação nas vendas externas do agronegócio.

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A produção de bebidas também avançou. Nesse caso, o item se beneficia mais do Mundial, quando tradicionalmente o consumo de cerveja cresce.


TELEVISORES

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Outro ramo que surfou na onda do Mundial foi o da linha marrom (som e imagem). "Já tínhamos visto que a produção de linha marrom tem comportamento distinto por causa da Copa e não só neste ano, mas em todos os anos de Copa", afirma Macedo.

Segundo Macedo, o impulso ao segmento veio da procura acelerada por televisores, movimento repetido em todos os anos nos quais ocorrem Mundiais. Dados do varejo, porém, já mostram que o "efeito Copa" ficou para trás.

Pelos dados do IBGE, a produção de bebidas saiu de uma retração 6,6% no último trimestre de 2013 frente a igual período de 2012 para uma alta de 2,8% nos três primeiros meses deste ano -ou seja, ainda resta um saldo negativo para ser recuperado.

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Já a fabricação de itens da linha marrom cresceu 20,9% em abril na comparação com igual período do ano passado.

No primeiro trimestre, a alta foi de 51,6% frente a igual período de 2013. No último trimestre do ano passado, a fabricação de itens da linha marrom já tinha crescido 24,1% frente a igual período de 2012.

Em abril, houve avanço de 2,5% em abril frente igual mês de 2013.

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VAREJO

Estudo da CNC (Confederação Nacional do Comércio) obtido pela Folha de S.Paulo revela para o ramo de eletrodomésticos (inclui TVs) o impacto será "neutro" nos meses de junho e julho.

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"O brasileiro sempre se antecipa e já comprou, desde o fim do ano passado, televisores", diz Fábio Bentes, economista da entidade.

Ele afirma que para vendas de alimentos também tendem também a ficar no zero a zero nos dois meses da Copa. Isso porque as vendas de alguns alimentos e bebidas crescem por conta do evento, mas os feriados eliminam esse efeito positivo.

"O grande beneficiado, sem dúvida, será o setor de serviços, com maior movimento em bares, restaurantes e hotéis, por exemplo."

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INVESTIMENTO E PROJEÇÕES

Mais do que o "efeito Copa", a preocupação de analistas está centrada no fraco desempenho dos bens de capital, itens como máquinas e equipamentos para construção, energia, agropecuária e indústria e veículos para o transporte de cargas (como caminhões).

Essa categoria é o termômetro dos investimentos, que se deterioram a cada divulgação da indústria.

Em abril, a produção de bens de capital despencou 14,4% na comparação com igual mês de 2013 e 0,5% ante março –em ambos os casos, a segunda retração seguida.

Para o Bradesco, o recuo da produção de bens de capital em abril sugere nova retração dos investimentos no PIB do segundo trimestre.

"De modo geral, portanto, apesar de o resultado da indústria ter vindo em linha com nossa expectativa, o fraco desempenho da produção de bens de capital e insumos típicos da construção civil aponta para a persistência do comportamento desfavorável exibido pelos investimentos", diz o banco, em relatório.

O mercado previa uma queda da indústria na faixa de 6% ante abril de 2013 (deu 5,8%) e de 0,3% na comparação março –mesmo resultado observado pelo dados do IBGE.

Para a LCA, a revisão "brusca" de sua projeção –de uma alta de 1,7% para uma queda de 0,3%– se deve à revisão metodológica da pesquisa do IBGE, "que mostrou uma alta mais forte em 2013".

Desse modo, diz a consultoria, "elevou a base de comparação, além de mostrar uma desaceleração mais relevante" nas comparações mês contra mês anterior.

"Também houve uma piora das expectativas para a indústria de transformação. A produção de veículos encerrará o ano com queda relevante em decorrência de um mercado doméstico fraco e forte queda das exportações, afetando toda a cadeia, que representa mais de 10% da indústria", ressalta a consultoria, em relatório.