Economia

Área de Libra, no pré-sal, deve aumentar em 56% reservas de gás do país

Da Redação ·

SAMANTHA LIMA
RIO DE JANEIRO, RJ - A área na província de petróleo do pré-sal conhecida como Libra pode ter potencial de, sozinha, aumentar até 56% o total de reservas de gás natural do Brasil.
A informação foi apresentada nesta terça-feira (27) por Osvaldo Pedrosa, presidente da estatal PPSA (Pré-Sal Petróleo).
A empresa foi criada para representar os interesses da União nos contratos de partilha assinados com as empresas que vão explorar e produzir óleo e gás nos reservatórios do pré-sal.
Segundo o executivo, Libra indica um total de recursos recuperáveis entre 313,6 bilhões e 470,4 bilhões de metros cúbicos de gás, volume que representa entre 37,3% e 56% do total de 839,5 bilhões de metros cúbicos de reservas no país, considerando as provadas e prováveis, de acordo com a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis).
Localizada na Bacia de Santos, a área de Libra é explorada pela Petrobras, em parceria com a francesa Total, a anglo-holandesa Shell e as chinesas CNOOC e CNPC.
Ela foi arrematada pelo consórcio em outubro do ano passado, em leilão organizado pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis).
GÁS CARBÔNICO
Os volumes estimados para Libra já desconsideram o teor de gás carbônico associado nos reservatórios, da ordem de 44% do volume total.
Em Libra, o teor de gás carbônico é mais alto do que em outros reservatórios no pré-sal, segundo Pedrosa.
Esse gás não deverá ser, porém, disponibilizado para uso no Brasil assim que a produção comercial for iniciada. Isso porque ainda se estuda a melhor tecnologia para escoá-lo.
Assim, nos primeiros meses em que Libra estiver em produção, o gás deverá ser reinjetado nos poços.
A reinjeção contribui para aumentar a produtividade dos poços, uma vez que aumenta a pressão de saída do petróleo.
De acordo com o executivo, a perfuração dos dois primeiros poços exploradores em Libra pelo consórcio liderado pela Petrobras é prevista para o segundo semestre de 2014.
Em 2016, será iniciada a fase de testes da produção. O projeto-piloto de produção de Libra será iniciado em 2020.
RESERVATÓRIOS ALÉM DA FRONTEIRA
Pedrosa disse esperar que até o fim do ano a PPSA resolva os quatro casos de unitização de reservatórios de petróleo e gás que estão em abertos e envolvem áreas da União no pré-sal.
A unitização é um procedimento realizado quando um operador de petróleo descobre que um reservatório de petróleo e gás no qual ele realiza trabalho de exploração e produção estende-se para além da área inicialmente delineada, dentro da qual ele pode, por contrato, atuar.
Quando o operador descobre a extensão maior do reservatório, é obrigada a comunicar à ANP e, em seguida, iniciar a negociação com o proprietário da área sobre a qual avança, para fazer a correta delimitação das reservas.
No caso de unitização sobre os reservatórios do pré-sal da União, a negociação para delimitação das áreas se dá com a PPSA.
Os casos a que Pedrosa se referem são de reservatórios que se estendem além das áreas de exploração inicialmente delineadas no campo de Lula, Sapinhoá (ambos no pré-sal) e Tartaruga Mestiça (no pós-sal), os três sob domínio da Petrobras, e a área Gato do Mato, de concessão da Shell.
Todos esses avançam sobre as áreas do pré-sal da União.
Pedrosa descarta a possibilidade de impasse na negociação.
"O pior dos mundos num acordo de unitização é não chegar a um entendimento, porque assim as empresas não se desenvolvem, não produzem. Em geral, as empresas se entendem", disse Pedrosa. 

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