Economia

Estoque menor já indica desconfiança do comércio

Da Redação ·
Estoque menor já indica desconfiança do comércio (Tribuna do Norte)
Estoque menor já indica desconfiança do comércio (Tribuna do Norte)

O prenúncio de que o comércio terá um desempenho mais modesto em 2013 minou a confiança dos empresários do setor e já se reflete numa percepção de demanda menor neste Natal. Um estudo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) projeta expansão de 6,1% nos estoques do varejo para o quarto trimestre, ante igual período do ano anterior. Em 2012, os comerciantes ampliaram seus estoques em 8,3%, no mesmo tipo de comparação.

Nos últimos três meses do ano, os varejistas costumam reforçar os estoques para atender ao aumento da demanda. Mas a confiança dos empresários se manteve abaixo do nível observado em 2012, segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV), e o porcentual dos que apontam que a demanda está fraca tem crescido Em novembro deste ano, chegava a 18,9% entre os participantes da Sondagem do Comércio, ante 12,8% em igual período do ano passado.

Segundo o economista da CNC Fábio Bentes, responsável pela pesquisa sobre os estoques, a expectativa de crescimento do varejo neste Natal é de 5%, dada a elevada correlação entre as vendas e os estoques. Caso esse resultado se confirme, ficará abaixo da expansão de 8,1% de igual período de 2012. "O que está atrapalhando o consumo é o encarecimento do crédito", avaliou Bentes.
 

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As previsões de um Natal mais fraco em 2013 vão ao encontro das análises que projetam desempenho pior do comércio no resultado do ano. Segundo o economista Paulo Neves, da LCA Consultores, as vendas devem crescer 4,5%, ante 8,4% no ano passado. E 2014 deve reservar tempos ainda mais difíceis aos varejistas. Neves projeta expansão de 4% no ano que vem, numa prova de que a desaceleração não será temporária, mas sim uma prévia do que está por vir.

Outros tempos

Depois de anos de consumo em alta, os juros mais elevados, a inflação beirando o limite superior da meta do governo (o teto é de 6,5% em 12 meses) e o menor crescimento dos rendimentos reais dos trabalhadores afastaram o comércio de resultados de dois dígitos, como em 2010. Naquele ano, as vendas cresceram 10,9% ante 2011, quando já tinha havido aumento de 9,1% - números que o comércio deve deixar para trás.

O entendimento é de que o setor tende a se acomodar em um nível mais baixo de expansão nos próximos anos, de acordo com o que o próprio ritmo da economia conseguirá sustentar. "Estamos em outro momento agora. Um crescimento entre 4% e 6% será um ritmo mais normal para o comércio", aponta o economista e superintendente adjunto de Ciclos Econômicos da FGV, Aloisio Campelo.

Se encarecimento do crédito, inflação e limitação no crescimento da renda já dificultam a vida dos varejistas, a demanda desenha um cenário ainda menos animador. Ou seja, a preocupação demonstrada pelos empresários nas sondagens tem fundamento. Segundo Campelo, havia muito desejo de consumo reprimido na primeira década dos anos 2000, mas o crescimento das vendas amparado nessa lacuna chegou ao limite.

"Já houve saciedade, não há mais muita defasagem. Então, a venda de bens de consumo e de outros segmentos vai crescer em linha com a economia", avalia o economista da FGV.
Essa saturação deve afetar principalmente o segmento de bens de consumo duráveis, aposta Neves, da LCA. Mas setores importantes como os hipermercados e supermercados e o de vestuário também devem perder força, acrescenta.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) já divulgou dados das vendas no comércio até setembro. Segundo o instituto, o crescimento em 2013 está em 3,9%. Em 12 meses, a expansão é de 4,8%. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.