Economia

Bolsa tem a maior alta diária em mais de um ano

Da Redação ·





SÃO PAULO, SP, 2 de setembro (Folhapress) - Dados que mostraram a melhora da indústria europeia e chinesa animaram os investidores hoje e levaram o Ibovespa, principal índice de ações da Bolsa brasileira, a fechar em alta de 3,65%, a 51.835 pontos. Foi a maior alta diária registrada pelo índice desde 27 de julho de 2012, quando subiu 4,72%.

O avanço do índice também foi impulsionado pela valorização de 33,33% das ações da OGX, petroleira de Eike Batista, para R$ 0,40.

Segundo analistas, as ações da OGX apresentam hoje uma recuperação da forte queda vista na última sexta-feira, quando esses papéis fecharam em queda de 40%, em seu menor nível histórico, de R$ 0,30.

Na semana passada, a ação da petroleira de Eike foi derrubada pela notícia de que o empresário estaria negociando a conversão da dívida da OGX em participação acionária na companhia, o que diluiria os demais acionistas.

"É um papel volátil e não recomendável a quem não conhece muito bem o mercado de ações. Essa ação só deve ser comprada para especulação ou day trade [operação de compra e venda de uma ação no mesmo dia]", diz Julio Hegedus, economista-chefe da consultoria Lopes Filho.

A pesquisa Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) mostrou que atividade industrial da China cresceu pela primeira vez em quatro meses em agosto, à medida que a demanda doméstica se recuperou.

"Os dados divulgados na China hoje aliviaram um pouco a tensão que o mercado estava sentindo em relação a demanda chinesa por matérias-primas. Isso contribuiu para a alta das ações de empresas desse segmento, como a Vale", diz Elad Revi, analista-chefe da Spinelli Corretora.

As ações mais negociadas da Vale tiveram alta de 2,95%, para R$ 32,02, dando impulso ao Ibovespa. A China é o principal cliente internacional da mineradora brasileira.

Na Europa, o PMI de indústria do Markit para a zona do euro saltou de 50,3 em julho para 51,4 em agosto, maior valor em mais de dois anos.

Além disso, também contribuiu para o clima mais ameno nos mercados o adiamento do conflito de potências ocidentais com a Síria.

No sábado, o presidente dos Estados Unidos, afirmou que irá buscar a aprovação do Congresso americano antes de adotar uma ação militar contra alvos do governo sírio, o que deve atrasar um possível ataque.

"O Obama [presidente americano] não vai tomar uma decisão isolada sobre atacar ou não o país do Oriente Médio. Por isso, pediu uma votação no Congresso dos EUA sobre o assunto, a qual deve acontecer em 9 de setembro. Até lá, é possível que tenhamos um alívio nos mercados. Mas, caso optem por dar continuidade a um conflito, o impacto negativo seria imediato", diz Hegedus.

As Bolsas dos Estados Unidos permaneceram fechadas hoje devido ao feriado do Dia do Trabalho naquele país.

Câmbio

No câmbio, o dólar à vista -referência no mercado financeiro- fechou em queda de 0,54%, a R$ 2,367. No mesmo horário, o dólar comercial -utilizado no comércio exterior- cedeu 0,50%, para R$ 2,373.

A desvalorização do dólar foi reflexo da reação a sinais de fortalecimento da China, que favoreciam outras moedas de países emergentes graças ao maior apetite de investidores ao risco.

Além disso, o Banco Central realizou hoje dois leilões de swap cambial tradicionais, que equivalem à venda de dólares no mercado futuro. A autoridade vendeu 10 mil contratos com vencimento em 2 de dezembro de 2013 e outros 20 mil contratos com vencimento em 3 de fevereiro de 2014 por um total de US$ 1,491 bilhão.

Um dos leilões do BC hoje estava previsto pelo plano da autoridade para conter a escalada do dólar. O programa do BC -que começou a valer em 23 de agosto- prevê a realização de leilões de swap cambial tradicionais de segunda a quinta, com oferta de US$ 500 milhões em contratos por dia, até dezembro.

Às sextas-feiras, o BC oferecerá US$ 1 bilhão por meio de linhas de crédito em dólar com compromisso de recompra -mecanismo que pode conter as cotações sem comprometer as reservas do país.
 

continua após publicidade