Economia

Ouro e fundos cambiais lideram ranking de investimentos no mês

Da Redação ·





Por Danielle Brant E Anderson Figo

SÃO PAULO, SP, 29 de agosto (Folhapress) - A alta do dólar em agosto impulsionou o ouro e os fundos cambiais, que lideraram os ganhos no mês. O ouro, que tem seu preço influenciado por uma combinação da taxa de câmbio nos mercados doméstico e internacional, subiu 11,24% em agosto no mercado futuro da Bolsa brasileira, embora no ano acumule perda de 1,73%.

Os contratos dessa commodity negociados na BM&FBovespa são padronizados em 250 gramas. Ao preço de R$ 107,90 o grama, quem quisesse comprar uma barra hoje teria de desembolsar aproximadamente R$ 27 mil.

Para viabilizar os negócios para pequenos investidores, algumas casas especializadas oferecem barras menores, de 5, 10, 20 e 50 gramas, com preços que oscilam de R$ 600 a R$ 5.500. A valorização do dólar também impulsionou os fundos cambiais, que tiveram valorização média de 4,18% no mês (ou 3,45% descontado o Imposto de Renda de 17,5% no resgate em 12 meses), de acordo com a Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais).

Essa é a principal alternativa para o pequeno investidor que quer basear suas aplicações na taxa de câmbio.

Dólar e Bolsa

O dólar à vista -referência no mercado financeiro- subiu 3,76% no mês, como reflexo da recuperação da economia dos EUA e da perspectiva do início da retirada dos estímulos econômicos pelo Fed (Banco Central americano). Para injetar dinheiro na economia, o Fed recompra, mensalmente, US$ 85 bilhões em títulos públicos. E parte desses recursos vai para outros países, como o Brasil, sob forma de investimento.

Se esse incentivo for retirado, o volume de recursos destinados a outros países tende a diminuir e, diante da perspectiva de menos entrada de dólares no Brasil, o preço da moeda americana sobre em relação ao real.

Além disso, a aposta é que, depois de retirados os estímulos financeiros, o próximo passo seja o aumento dos juros nos EUA, atualmente quase zero. Juros maiores deixam os títulos do governo americano, remunerados pela taxa e considerados de baixo risco, mais atraentes a investidores do que aplicações de maior risco, como em países emergentes.

Na avaliação de Tarcisio Joaquim, diretor do Banco Paulista, a moeda americana deve seguir se valorizando até o limite de R$ 2,50. "Acima disso, seria horrível para a inflação do país e o governo não deve permitir", diz.

O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, subiu 3,68% em agosto. Para André Perfeito, economista da Gradual Investimentos, a expectativa é que a Bolsa siga se valorizando até o fim do ano.

"As más notícias já estão computadas nos atuais valores. Muitos papéis ficaram baratos e, por isso, há espaço para uma recuperação até o final do ano", afirma.

Os fundos de ações livre tiveram rentabilidade média de 0,68% em agosto (ou 0,58% com desconto de IR para resgate em 12 meses -de 15% nessa categoria).

Renda Fixa

No mercado de renda fixa, os fundos DI e renda fixa tiveram tiveram rentabilidade média de 0,60% e 0,41% respectivamente (0,50% e 0,34% com desconto de IR para resgate em 12 meses). Vale destacar que os dados referentes aos fundos não refletem precisamente o ganho dos pequenos investidores, já que correspondem a uma média de cada categoria, incluindo produtos de grande porte -que exigem aplicação mínima elevada e costumam render mais que os de varejo.

A poupança com depósitos a partir de 4 de maio de 2012 rendeu 0,48% em agosto (aniversário no primeiro dia do mês) e a caderneta para aplicações anteriores a essa data, 0,50%. Não há IR na poupança.

Todas as aplicações com resultado positivo em agosto devem ganhar da inflação do período, projetada por economistas em 0,26% pelo IPCA, índice oficialmente usado pelo governo.
 

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