Economia

"Fazenda do apagão" tem novo foco de incêndio no Piauí

Da Redação ·

Por Yala Sena TERESINA, PI, 29 de agosto (Folhapress) - Novos focos de incêndio atingiram hoje a fazenda no interior do Piauí onde, segundo o Ministério das Minas e Energia, houve uma queimada que provocou ontem o apagão no Nordeste do país e em regiões do Paraná. A área identificada como fazenda Santa Clara, em Canto do Buriti (a 393 km de Teresina), começou a registrar novos focos de fogo por volta das 14h, cerca de um dia após o blecaute que deixou o Nordeste às escuras. Cerca de 20 brigadistas de incêndio ligados ao combateram o fogo, controlado por volta das 17h. Havia outra queimada, de grande proporção e não controlada até o final da tarde, na região da rodovia PI-141, entre Canto do Buriti e Eliseu Martins. "Nossa preocupação era o foco [de hoje na Santa Clara] não ir para áreas de risco, como regiões com linhas de transmissões, da reserva e área residenciais", disse o chefe da brigada de Canto do Buriti, Arley Miranda. Segundo Arley, o fogo iniciado ontem foi de dimensão média, e foi controlado apenas às 2h de hoje. O ministro das Minas e Energia, Edison Lobão (PMDB), afirmou que a causa do apagão foram dois incêndios que atingiram linhas de transmissão de energia no Piauí -um deles foi o da fazenda Santa Clara. Mas o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) no Piauí disse ser "precipitado" associar o fogo ao apagão. A Folha de S.Paulo revelou que a fazenda Santa Clara, origem do fogo, é uma área-símbolo do fracasso do projeto de "biodiesel social" das gestões do PT no Planalto. Ali o governo Luiz Inácio Lula da Silva anunciou um projeto de produção de mamona por agricultores familiares, matéria-prima que abasteceria usina de produção de biodiesel. A empresa responsável abandonou o projeto em razão da baixa produtividade da mamona, e hoje as famílias plantam outros itens, como feijão e milho. Hipóteses O Ibama no Piauí enviou peritos para apurar as causas do incêndio na fazenda Santa Clara, e trabalha com três hipóteses para a origem do fogo. Segundo o chefe da divisão de Controle Ambiental e Fiscalização do Ibama no PI, Gilvan Vilarinho da Silva, há possibilidade de ação criminosa, devido à presença de caçadores de animais na região, de fogo incidental, causado por cigarros, e de queimadas para limpeza de terrenos. "É cultural usar a queimada para a renovação de pastagens, além de ação de caçadores e dispensa de tocos de cigarros, que são frequentes nas estradas. Mas só vamos saber com o laudo", disse Silva.  

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