Economia

Ações de Eike têm forte queda e fazem Bolsa cair 0,45%

Da Redação ·

SÃO PAULO, SP, 28 de agosto (Folhapress) - Pressionado pela forte queda das ações de Eike Batista, o principal índice de ações da Bolsa brasileira, o Ibovespa, fechou hoje em baixa de 0,45%, a 49.866 pontos. As ações da OGX, petroleira de Eike, tiveram queda de 17,39%, para R$ 0,57, liderando as perdas do índice no dia. "A queda reflete a notícia publicada pela Folha de que Eike iniciou a negociação da reestruturação da dívida da OGX com os detentores dos papéis no exterior", diz Gabriel Ribeiro, analista da Um Investimentos. As ações da MMX e da LLX, ambas de Eike, também fecharam em quedas, de 2,93% e 2,44%, respectivamente. O movimento, segundo Ribeiro, decorre da notícia de que o empresário renunciou ao cargo de presidente do Conselho de Administração da LLX. O Ibovespa teve instabilidade no dia, chegando a cair 1,12% e a subir 1%, influenciado pela possibilidade de uma ação militar liderada pelos Estados Unidos contra o governo da Síria. "Acho difícil que o possível conflito na Síria saia de foco rapidamente. É um assunto delicado, em um momento delicado. A gente sabe como começa, mas não sabe como termina. Não sabemos qual o custo que isso vai ter para economias como os EUA, Inglaterra e França, por exemplo", diz Marcio Cardoso, sócio-diretor da Easynvest Título Corretora. Em um novo capítulo para o caso sírio, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, anunciou hoje que o Reino Unido pediu aval do Conselho de Segurança da ONU a uma intervenção militar na Síria, em represália contra o uso de armas químicas. "Tem gente falando que, com o possível conflito, há a possibilidade de o Fed [banco central americano] não começar a cortar o programa de estímulo econômico nos EUA agora. Tanto o corte no estímulo americano quanto a incerteza sobre o conflito na Síria são eventos que devem durar bastante tempo e, portanto, essa volatilidade recente nos mercados vai continuar", diz Cardoso. A Síria não é o principal produtor de petróleo do mundo, mas está situado próximo ao canal de Suez, que liga Porto Said, porto egípcio no Mar Mediterrâneo, a Suez, no Mar Vermelho. Essa é a rota por onde boa parte do petróleo mundial passa. O temor é que o possível conflito na região possa afetar, além da produção síria de petróleo, o escoamento da produção de outros grandes produtores, como a Arábia Saudita e o Irã. Nesse cenário, o contrato do barril de petróleo mais negociado na Bolsa de Nova York fechou em alta de 0,59%, a US$ 109,65 -maior valor desde maio de 2011. Já o contrato mais negociado do barril de petróleo Brent, em Londres, avançou 1,57% no dia, para US$ 116,15 -maior alta desde fevereiro deste ano. "A alta do petróleo no exterior tem efeito negativo sobre a Petrobras, que importa derivados, como a gasolina, e vende por um preço menor no Brasil", diz Pedro Galdi, analista-chefe da SLW Corretora. A ação preferencial (mais negociada e sem direito a voto) da estatal caiu 1,66% hoje, para R$ 17,16. Já os papéis ordinários (com dereito a voto) cederam 2,41%, a R$ 16,17. O cenário internacional ofuscou o segundo dia da reunião do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central). A autoridade deve anunciar nesta noite uma nova elevação de 0,5 ponto percentual no juro básico, a Selic, para 9% ao ano, segundo o consenso do mercado. Dólar O dólar à vista, referência para as negociações no mercado financeiro, registrou queda de 2,43% em relação ao real hoje, para R$ 2,337 na venda. Já o dólar comercial, utilizado no comércio exterior, cedeu 0,84%, para R$ 2,348. Segundo operadores, o movimento foi uma correção natural às fortes altas recentes, enquanto os investidores aproveitaram o dia para embolsar lucros. Ajudou a derrubar a cotação do dólar um novo leilão de swap cambial tradicional, que equivale à venda de dólares no mercado futuro, realizado pelo Banco Central nesta manhã. A operação é parte do plano da autoridade de injetar, até dezembro, US$ 54,5 bilhões no mercado de câmbio para conter a escalada da moeda americana. Hoje, o Banco Central vendeu 10 mil contratos de swap com vencimento em 2 de dezembro de 2013 por US$ 498,2 milhões. A presidente Dilma Rousseff disse hoje que o Brasil tem "bala na agulha" para enfrentar a situação de variação cambial que afeta o real. Ela reafirmou que o câmbio é flutuante, mas que as intervenções no mercado feitas pelo Banco Central são para impedir que essas flutuações sejam "abruptas". Por isso, segundo Dilma, o Brasil não tem uma meta de valor para a moeda brasileira em relação ao dólar.  

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