Economia

Centrais sindicais farão ato na sexta-feira

Da Redação ·

Por Claudia Rolli e Diógenes Campanha SÃO PAULO, SP, 28 de agosto (Folhapress) - As centrais sindicais prometem novas manifestações, paralisações e greves nesta sexta-feira, dia 30 de agosto, em várias regiões do Estado de São Paulo e do país. Um dos principais atos deve começar a partir das 16h de amanhã, dia 29, quando os aposentados iniciam uma vigília em frente ao prédio do INSS, no viaduto Santa Ifigênia. Após críticas de que a manifestação feita em julho na avenida Paulista tinha adesão menor do que os protestos voluntários que ocorreram contra aumento da tarifa de ônibus, os sindicalistas mudaram os locais dos atos. Na ocasião, 7.000 se reuniram na avenida Paulista, que ficou bloqueada por quatro horas. Reportagem da Folha de S.Paulo flagrou "manifestantes" recebendo vales de R$ 70, pagos para que eles fossem ao ato e se alimentassem. Rodovias e avenidas foram fechadas, mas a capital viveu clima de feriado, com trânsito abaixo da média. Dessa vez, os protestos têm como foco o fim do fator previdenciário e a redução da jornada de trabalho para 40 semanais - dois pontos da pauta dos trabalhadores que unem as centrais sindicais reconhecidas ou não pelos critérios estabelecidos no governo federal. No último dia 21 de agosto, os sindicalistas se reuniram em Brasília com o governo que decidiu abrir negociações para mudar o fator previdenciário. O fim do fator é uma das principais pautas das centrais e um dos pretextos para uma série de mobilizações pelo país no mês passado, a reboque das manifestações. O índice reduz o benefício de quem se aposenta com menos idade e sua extinção significaria prejuízo nas contas públicas. O fator previdenciário é regulado pela soma entre o tempo de contribuição e a idade para a aposentadoria. Um dos pontos de destaque na negociação deverá ser o que trata do fator 85/95 (mulher/homem). O fim do fator foi negociado ainda durante o governo Lula, mas acabou vetado em 2010 pelo ex-presidente e nunca mais debatido diretamente com o Palácio do Planalto. Mais Protestos Estão previstas manifestações e passeatas a partir de 5h do dia 30 de agosto nas rodovias Raposo Tavares, Anchieta, Bandeirantes, Castelo Branco e Dutra. Os sindicalistas ameaçam parar a produção da empresas metalúrgica MWM, na avenida Nações Unidas, Santo Amaro (zona sul de SP) e pode ocorrer protestos também em outras regiões da cidade de São Paulo como: terminal Sacomã (zona leste), ponte do Piqueri com a marginal Pinheiros (zona oeste), radial Leste (Brás / Largo da Concórdia), avenida Jacu-Pêssego ( zona Leste), avenida do Estado (na praça Lions), na ponte do Socorro (zona sul). CUT (Central Única dos Trabalhadores) e Força Sindical lideram a mobilização para os atos, que contará também com a participação de UGT (União Geral dos Trabalhadores), CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil), CSB (Central dos Sindicatos Brasileiros), Intersindical e NCST (Nova Central Sindical dos Trabalhadores). O secretário-geral da Força, João Carlos Gonçalves, o Juruna, disse que as centrais não convocarão uma greve geral pela dificuldade de se viabilizar uma paralisação total. "Não tem condição de parar tudo. Cada região é muito diferente uma da outra. Achamos melhor não queimar a ideia de uma greve geral se a gente não puder fazer", afirmou. Segundo o dirigente, estão previstas "pequenas paralisações" em portas de fábricas no período da manhã. Em São Paulo, a Força programa uma concentração às 10h de sexta-feira no Viaduto Santa Ifigênia (centro), com atos às 13h na praça da República e na praça do Patriarca. Depois disso, haverá passeata até o vão livre do Masp, na avenida paulista. Apesar da realização dos protestos, Juruna admite que a interlocução com o governo melhorou desde julho. O PL 4330, sobre terceirização, foi discutido em uma comissão quadripartite com as centrais, representantes das empresas, do Congresso e do Executivo, e uma proposta que contemple os pleitos dos sindicalistas deve ser votada na próxima semana na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. As negociações sobre o fator previdenciário também estão em curso. "Falta discutir a redução da jornada de trabalho", disse. Ele atribui o avanço nas negociações à pressão das centrais e à queda da popularidade da presidente Dilma Rousseff após as manifestações iniciadas em junho --que não contaram com sindicalistas na linha de frente dos protestos. "A interlocução deu um passo bom, está melhorando. Não é à toa que ela [Dilma] melhorou nas estatísticas", brincou Juruna, referindo-se ao aumento dos índices de aprovação da presidente nas pesquisas realizadas neste mês. Em julho, quando as centrais convocaram seu Dia Nacional de Lutas, houve baixa adesão nas ruas. O secretário-geral da Força prevê quórum maior na sexta-feira. Segundo ele, algumas categorias, como bancários, petroleiros, e químicos estão em campanha por reajustes salariais, o que aumentaria "o pique" desses trabalhadores para engrossarem os protestos.  

continua após publicidade