Economia

De olho em dados da China, Bolsa brasileira cai mais de 2%

Da Redação ·





SÃO PAULO, SP, 12 de julho (Folhapress) - O Ibovespa, principal índice de ações da Bolsa brasileira, fechou hoje em queda de 2,34%, para 45.533 pontos, com os investidores avaliando novos sinais de desaceleração da economia brasileira e preocupados em relação ao crescimento da China.

Com o desempenho de hoje, o Ibovespa acumulou perda de 0,5% na semana. No ano, a baixa do índice chega a 25,3%.

No mercado de câmbio, o dólar à vista -referência para as negociações no mercado financeiro- teve baixa de 0,07% em relação ao real, cotado em R$ 2,267 na venda. O dólar comercial -utilizado no comércio exterior- subiu 0,35%, também para R$ 2,267.

A economia brasileira registrou em maio uma retração pior do que a esperada, pressionada pela fraqueza da produção industrial e indicando que a recuperação da atividade ainda não deu sinais consistentes.

O IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central), considerado espécie de sinalizador do PIB (Produto Interno Bruto), registrou queda de 1,4% em maio ante abril, de acordo com dados dessazonalizados (livres de influências típicas de cada período do ano), informou o BC hoje.

O economista Andre Loes, do HSBC, avalia o resultado do indicador como "consistente" e corrobora sua projeção de que o PIB brasileiro deverá acelerar seu crescimento de 1,3% no primeiro trimestre para 2,4% no segundo trimestre deste ano. "No geral, porém, a economia ainda não atingiu velocidade sustentável e o crescimento continua moderado", diz.

No exterior, os olhos novamente se voltaram para a economia chinesa, depois que o ministro das Finanças da China afirmou que o crescimento na segunda maior economia do mundo pode ser de 7% neste ano, abaixo da meta oficial do governo, de 7,7%.

A expectativa pela divulgação do PIB da China na noite de domingo (horário de Brasília) também manteve investidores cautelosos. Eventuais sinais de fraqueza da segunda maior economia mundial podem minar o apetite por risco dos mercados no início da semana que vem.

Para o analista Gabriel Ribeiro, da Um Investimentos, é preciso cautela para analisar os dados da China. "Mesmo que haja uma desaceleração da atividade no país, não podemos nos esquecer que um aumento de 7% ainda é significativo. É bem maior do que o crescimento dos outros principais países globais", diz.

Na análise de Ribeiro, a China deve continuar importando mercadorias de outros países, principalmente matérias-primas brasileiras, para conseguir sustentar a forte taxa de urbanização do país. "As matérias-primas produzidas na China, como o minério, não são de boa qualidade e não dão conta de sustentar o mercado chinês sozinhas", afirma.

Ações

As ações do grupo EBX, de Eike Batista, lideraram as perdas do Ibovespa hoje. Os papéis da LLX (logística), OGX (petróleo) e MMX (mineração) caíram, respectivamente, 22,35%, 21,82% e 20,95%, para R$ 0,66, R$ 0,43 e R$ 1,17.

Operadores atribuíram o movimento às persistentes preocupações do mercado sobre o futuro do grupo EBX. Hoje, a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) disse que vai analisar os três poços que a OGX tem em Tubarão Azul, para estabelecer se são economicamente viáveis, e poderá retomar a área petrolífera.
 

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