Economia

Bolsa brasileira fecha em alta, impulsionada por OGX e Vale

Da Redação ·

SÃO PAULO, SP, 4 de julho (Folhapress) - O Ibovespa, principal índice de ações da Bolsa brasileira, fechou hoje em alta de 1,60%, aos 45.763 pontos. O movimento do índice foi influenciado por sinais de manutenção dos estímulos econômicos na Europa e pela alta das ações do grupo EBX, de Eike Batista, e da Vale. "Hoje foi feriado nos EUA, o que reduziu o volume de negócios na nossa Bolsa. O mercado parece ter aproveitado a notícia positiva da Europa para comprar papéis que ficaram "baratos" após as quedas do Ibovespa nos últimos quatro dias", diz Carlos Müller, analista-chefe da Geral Investimentos. As ações da OGX (petróleo) lideraram os ganhos do Ibovespa no dia, subindo 20,51%, para R$ 0,47. Os papéis de Eike Batista voltaram ao foco do mercado hoje com o anúncio da saída do empresário do comando da MPX (energia), conforme antecipou a Folha. Esse foi o primeiro passo do plano de reestruturação em curso para o grupo EBX. A estratégia é vender ativos ou até o controle de MPX e MMX (mineração), as empresas mais saudáveis. Com esses recursos, pagar aos maiores credores: Itaú, Bradesco (US$ 1 bilhão somados) e o fundo árabe Mubadala (cerca de US$ 2 bilhões). As ações do Bradesco caíram 0,15%, para R$ 27,06, enquanto os papéis do Itaú tiveram avanço de 1,26%, para R$ 27,30. Já os papéis da MPX e da MMX registraram ganhos de 10,23% e 8,53%, respectivamente, para R$ 7,11 e R$ 1,40. "A MPX e a MMX são as duas empresas em "melhor condição" do grupo EBX. Isso pode chamar atenção dos investidores estrangeiros, que devem ver esses dois ativos como boas oportunidades de estarem presentes em setores estratégicos do mercado brasileiro: energia e mineração", avalia Müller. O ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, afirmou hoje que o governo não precisará socorrer as companhias do empresário Eike Batista. "A alta das ações do Eike hoje reflete um otimismo maior do mercado de que a reestruturação do grupo EBX, que foi iniciada com a oferta de venda da MMX e da MPX, pode dar certo", completou o analista-chefe da Geral Investimentos. No caso da OGX, o desempenho da ação também reflete, segundo analistas, o aumento na produção de petróleo da companhia em junho. Na Europa, os mercados de ações subiram após o presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, ter sinalizado que o BCE pode reduzir as taxas de juros da região, afirmando que o fim do programa de estímulos está bastante distante. Essa notícia, segundo o analista Leandro Ruschel, da consultoria Leandro&Stormer, influenciou na alta de 3,73% das ações mais negociadas da Vale, que encerraram o dia em R$ 26,97. "A Vale está ligada à China. Sempre que uma autoridade fala manter os juros reduzidos, isso acaba sendo associado a uma ajuda para retomada da economia global, especialmente da China, que é o principal comprador do minério produzido pela Vale", avalia Ruschel. Além disso, a mineradora anunciou ontem que obteve licença para instalação do projeto Serra Sul, no Pará, maior empreendimento da sua história. Mesmo com a alta do Ibovespa hoje, Ruschel segue acreditando na tendência de queda para a Bolsa brasileira no médio prazo. "Temos uma mudança no fluxo de investimentos no cenário global e muito dinheiro migrando para os EUA, com os investidores apostando em uma alta nos juros por lá. Também temos uma instabilidade política e social no Brasil, reflexo das medidas econômicas equivocadas do governo. Uma alteração nesse cenário depende de medidas mais firmes do governo", diz. Dólar O dólar à vista -referência para as negociações no mercado financeiro- fechou hoje em queda de 0,4%, cotado a R$ 2,255, após o Banco Central ter feito nova intervenção no câmbio para controlar a volatilidade da moeda americana. O dólar comercial -utilizado no comércio exterior- teve baixa de 0,52% no dia, para R$ 2,257.  

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