Economia

Bovespa fecha em alta, mas caminha para o pior semestre desde 2008

Da Redação ·

SÃO PAULO, SP, 27 de junho (Folhapress) - Com os investidores mais otimistas em relação a continuidade de estímulos econômicos nos Estados Unidos e na Europa, o principal índice de ações da Bolsa brasileira, o Ibovespa, acompanhou o bom humor externo e fechou o dia com alta de 0,92%, aos 47.609 pontos. Com este desempenho, o Ibovespa soma alta de 3,54% desde a última segunda-feira (24). No mês de junho, porém, o índice soma perda de 11,02% e caminha para fechar seu pior semestre desde a segunda metade de 2008, quando teve desvalorização de 42,25%. Até hoje, o Ibovespa tem queda de 21,89% desde janeiro. O bom humor na Bolsa diminuiu a procura por dólar hoje, guiando a moeda americana em mais um dia de queda em relação ao real. O dólar à vista -referência para as negociações no mercado financeiro- caiu 0,51%, para R$ 2,186. Já o dólar comercial -utilizado no comércio exterior- subiu 0,31%, para R$ 2,196. "Estamos em uma semana marcada por fim de mês, trimestre e semestre. O mercado vai aproveitar qualquer fator e variáveis para subir. Há pessoas procurando papéis baratos para comprar, e sabemos que muitas ações na Bolsa brasileira estão baratas", avalia Wagner Caetano, diretor e consultor da Cartezyan. Para Caetano, mesmo com a alta do Ibovespa nesta semana, o cenário ainda continua negativo para a Bolsa brasileira, que se descola dos pares internacionais, com queda de mais de 22% no ano. "Temos um mercado claramente de baixa no Brasil, ao contrário do americano e europeu, que estão em uma tendência de alta, apesar de terem apresentado uma baixa recente, mas já estão retomando as forças", diz Caetano. Segundo Felipe Machado, analista da Geral Investimentos, o Ibovespa está passando por um ajuste técnico. "Nas últimas quatro semanas a Bolsa caiu mais de 10%. Por isso, a alta de mais de 3% nesta semana não é exagerada, é ajuste. No curto prazo, o Ibovespa deve continuar subindo, mas chega, no máximo, aos 50 mil pontos. Depois disso, deve voltar a cair", avalia Machado. Animaram os investidores no mundo todo hoje os discursos similares de dois influentes integrantes do Federal Reserve (banco central americano), dizendo que os mercados entenderam mal as intenções da instituição ao anunciar, na semana passada, que pretende começar a reduzir seu programa de compra de títulos ainda neste ano. O presidente do Fed de Nova York, William Dudley, e o membro do conselho do Fed Jerome Powell destacaram a inquietude com que autoridades americanas têm acompanhado a forte contração nos mercados globais desde a semana passada, reforçando que os estímulos serão mantidos nos EUA caso a situação do mercado de trabalho não melhore. Ontem, o presidente do BCE (Banco Central Europeu) já havia afirmado que a instituição manterá a política acomodativa na zona do euro, o que também foi bem recebido pelos investidores. As notícias ofuscaram o fato de o Banco Central do Brasil ter reduzido hoje sua projeção para o crescimento da economia neste ano. A instituição também espera uma inflação maior em 2013. As ações da LLX, empresa de logística do empresário Eike Batista, lideraram as quedas do Ibovespa hoje, com baixa de 13,6%, para R$ 1,08. Segundo analistas, a queda é uma correção à alta de 25% atingida ontem, depois de a companhia anunciar que contratou assessores financeiros para avaliar oportunidades de negócios e operações societárias envolvendo seus ativos. Outras empresas de Eike Batista, como a MMX Mineração (-1,19%, R$ 1,65) e a CCX Carvão (-4,55%, R$ 1,05), também estão em foco na semana. O empresário colocou à venda parte dos ativos dessas companhias, em meio à limitação de caixa para executar projetos que requerem grandes cifras. O avanço de mais de 1% das ações mais negociadas de Petrobras (PETR4, +1,42%, R$16,38) impulsionou o Ibovespa. Esses papéis representam mais de 8% do índice.  

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