Economia

Juros têm leve queda com aposta em menor alta da Selic

Da Redação ·
O Relatório Trimestral de Inflação mostrou que o Banco Central (BC) não vê urgência em acelerar o passo do aperto monetário e também veio em linha com as recentes comunicações da autoridade monetária. Com isso, os poucos investidores que ainda apostavam na possibilidade de a Selic subir 0,75 ponto porcentual em junho se uniram, na maioria, aos que fizeram aposta numa alta de 0,5 ponto porcentual, com a taxa terminando 2013 perto de 10%. Dessa maneira, as taxas de juros operaram em leve queda e ainda com giro estreito, também levando em consideração a ideia de que o governo não deve prorrogar o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) reduzido para o setor de linha-branca, de acordo com a vice-presidente do Instituto para o Desenvolvimento do Varejo (IDV), Luiza Trajano, que esteve reunida nesta quinta-feira com o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Dados melhores dos Estados Unidos e declarações de diretores do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), minimizando a possibilidade de retirada imediata de estímulos, também contribuíram para o viés de baixa dos juros. Ao término da negociação normal na BM&FBovespa, a taxa do contrato futuro de juro para outubro de 2013 (130.545 contratos) estava em 8,43%, de 8,45% no ajuste anterior. O DI para janeiro de 2014 (187.685 contratos) marcava 8,87%, ante 8,93% nesta quarta-feira, 26. O vencimento para janeiro de 2015 (197. contratos) indicava taxa de 9,77%, ante 9,90% na véspera. Na ponta mais longa da curva a termo, o contrato para janeiro de 2017 (83.415 contratos) apontava 10,77%, ante 10,88% nesta quarta-feira. O DI para janeiro de 2021 (2.865 contratos) estava em 11,03%, de 11,11% do ajuste anterior. "O Relatório de Inflação pode até sugerir que o ciclo de aperto se estenda, diante do fato de o BC ter reiterado a ideia de entregar a inflação deste ano abaixo da registrada em 2012. Mas o documento mostra que não há urgência em acelerar o passo", afirmou o economista sênior do Besi Brasil, Flávio Serrano. No documento, o BC voltou a afirmar que está "vigilante" e que adotara a devida "tempestividade" para reverter o quadro de persistência inflacionária. No relatório, o banco destaca como fator de risco "a maior volatilidade e a tendência de apreciação do dólar dos Estados Unidos". No documento, o BC passou a usar uma cotação para o dólar de R$ 2,10 - apesar de a Ptax do dia 7, data de corte do relatório, ser de R$ 2,1372. No documento anterior, de março, o parâmetro usado no cenário de referência era de R$ 1,95. Nesse cenário, a projeção do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu de 5,7% para 6% ao fim de 2013, no cenário de referência, e se manteve em 5,8% no de mercado, que leva em consideração os parâmetros contidos na Focus. O BC também revisou a projeção de crescimento para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2013 de 3,1% para 2,7%. Ao falar sobre os preços, o diretor de Política Econômica da instituição financeira, Carlos Hamilton Araújo, repetiu que a inflação estava, está e estará sob controle. Hamilton reforçou ainda que a instituição busca para este ano um IPCA menor do que o de 2012. Ele disse ainda que em alguns vértices da curva de juros houve exagero no alargamento das taxas. Mais cedo, o Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M) apresentou aceleração para 0,75% em junho na comparação com maio, quando ficou estável, segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV). O resultado do IGP-M de junho ficou levemente acima da mediana prevista pelas casas ouvidas pelo AE Projeções, de +0,74%.
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