Economia

Dólar cai pelo terceiro dia e volta a ser cotado abaixo de R$ 2,20

Da Redação ·





Por Anderson Figo

SÃO PAULO, SP, 26 de junho (Folhapress) - Depois de subir 5,7% na semana passada, chegando perto de R$ 2,30, o dólar voltou a perder força em relação ao real, em meio a perspectivas de que o corte nos estímulos monetários nos EUA pode demorar um pouco mais que o previsto para acontecer, além de novas medidas do Banco Central.

Hoje, o dólar à vista -referência para as negociações no mercado financeiro- fechou em queda de 0,77%, cotado em R$ 2,197 na venda. Foi a terceira baixa seguida da moeda americana no mercado à vista, acumulando desvalorização de 2,79% na semana.

O dólar comercial -utilizado no comércio exterior- teve queda mais acentuada hoje, de 1,03%, para R$ 2,189 na venda.

Para o economista Waldir Kiel, da H.Commcor, o fortalecimento do real (e queda do dólar) nesta semana acompanha o movimento de outras moedas no exterior, diante de uma perspectiva mais otimista em relação ao programa de compra de títulos do governo dos EUA.

"Representantes do BC americano já afirmaram que o corte nos estímulos não deve ser tão pesado quanto se pensava, e os indicadores econômicos americanos divulgados hoje vieram negativos, o que aumentou a perspectiva de que o fim do programa de compra de títulos nos EUA pode ser adiado", avalia Kiel, que vê a continuidade da queda do dólar no curto prazo.

O principal indicador divulgado hoje foi o PIB (Produto Interno Bruto) dos EUA, que se expandiu a uma taxa anualizada de 1,8% no primeiro trimestre deste ano. O dado foi revisado ante alta de 2,4% informada anteriormente, após avançar 0,4% no quarto trimestre de 2012.

Outro fator que estimulou uma queda da moeda americana nesta semana, segundo Kiel, foi a menor saída de dólares do país. Segundo dados da balança comercial divulgados hoje, de 17 a 21 de junho houve um saldo negativo de US$ 450,54 milhões.

"Mesmo ainda sendo negativo, o resultado é bem melhor do que os valores vistos nas semanas anteriores, quando houve uma diferença de mais de US$ 1 bilhão em cada", afirma o economista da H. Commcor.

Para Kiel, o leilão de linha feito pelo BC na semana passada também é responsável por conter a força do dólar nessa semana.

"Quando há leilão de swap, o BC consegue apenas conter a volatilidade. Já um leilão de linha efetivamente contém a alta do dólar, pois a operação equivale a uma venda de dólares no mercado pronto, com compromisso de compra futura", explica Kiel.

Na noite de ontem, o governo zerou a alíquota do compulsório bancário sobre as posições vendidas em câmbio, em mais uma tentativa de minimizar as pressões sobre o mercado.

A regra, estabelecida em janeiro de 2011, previa que as instituições financeiras deveriam recolher compulsoriamente o equivalente a 60% da sua "posição vendida" que excedesse US$ 3 bilhões. "Essa decisão do BC ajudou o dólar a cair, mas não foi o principal fator para a baixa de hoje", diz Kiel.

Alta Controlada

O economista da H. Commcor avalia que o BC permitiu uma desvalorização do real em relação ao dólar na semana passada, uma vez que ela é benéfica às empresas exportadoras, que aumentam seus lucros com o avanço da moeda, incentivando a economia.

"O BC permitiu que isso acontecesse porque foi em um momento em que a inflação já não estava subindo tão forte e, com as incertezas internacionais, o dólar acabou ganhando força naturalmente", afirma.

Para o analista Gabriel Ribeiro, da Um Investimentos, porém, a elevada volatilidade do dólar acaba prejudicando as operações das exportadoras.

"O câmbio têm estado bastante volátil, o que afeta diretamente as empresas exportadoras. Elas consideram uma projeção para o nível do dólar quando fecham seus contratos, mas, com a moeda sem um nível sustentado pelo BC, acabam ficando perdidas", explica Ribeiro, se referindo às intervenções da autoridade monetária em patamares diferentes do dólar.

"Isso força o exportador a vender ao preço de hoje, porque não sabe o que esperar de amanhã. Acabamos ficando sem um teto tolerável pelo BC, uma referência na hora de fechar os contratos", completa.
 

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