Economia

BC-Pesquisa - (Atualizada)

Da Redação ·

Taxa Selic deve subir novamente nesta semana, afirmam analistas




Por Daniel Tremel e Mariana Schreiber

BRASÍLIA, DF, 27 de maio (Folhapress) - Em meio a um cenário de pressão inflacionária, o Banco Central deve subir novamente a taxa básica de juros (Selic) na reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) da próxima quarta-feira (29), afirmam economistas ouvidos pela Folha de S.Paulo.

A Selic foi elevada de 7,25% ao ano para 7,50% ao ano no último encontro do comitê, em abril.

A previsão de novo aumento nesta semana se deve ao fato de que a inflação continua preocupante. A alta de juros é um instrumento usado pelo governo para conter o consumo, uma vez que o crédito (tanto empréstimos em instituições financeiras quanto parcelamentos em lojas, por exemplo) fica mais caro. E, com menos demanda, a inflação tende a ceder.

As preocupações com a pressão sobre os preços persistem porque embora o dado mais recente de inflação -o IPCA-15, prévia do indicador oficial usado pelo governo- tenha ficado um pouco abaixo do esperado em abril (aumento de 0,46%), isso não foi suficiente para indicar uma tendência de desaceleração no longo prazo, afirmam economistas.

Para o economista-chefe da Gradual Investimento, André Perfeito, a inflação ainda está muito próxima ao teto da meta (6,5% ao ano), o que preocupa. "A autoridade tem que manter o tom vigilante", afirma.

A continuidade do aperto monetário deve ocorrer apesar dos sinais de que a atividade econômica segue fraca. O indicador o IBC-Br, que serve como prévia do PIB (Produto Interno Bruto), apontou crescimento de 1,05% no primeiro trimestre. O resultado foi superior ao do mesmo período do ano passado, mas que frustrou expectativas de uma retomada mais forte. O dado fez com que a previsão do PIB fosse revisada para baixo.

"A reunião do Copom será particularmente dramática", diz Perfeito.

Nas duas últimas semanas, o presidente do BC, Alexandre Tombini, afirmou publicamente, em duas ocasiões, que a instituição fará o possível para reduzir a inflação, que hoje está em 6,49%, bem acima do centro da meta, de 4,5%.

"Com esse discurso, Tombini tenta coordenar as expectativas, mas não significa necessariamente que a taxa vai subir mais do que em abril", avalia Perfeito.

O consultor financeiro Rafael Paschoarelli diz que o mercado já trabalha com a perspectiva de uma inflação maior. "Esse BC não quer manter a inflação perto do centro da meta, ele tolera uma inflação um pouquinho maior. E o mercado já entendeu isso. Sendo assim, teremos ganhos reais menores".

Dilema

Para Perfeito, o BC vive um dilema. De um lado, a influência do cenário externo é deflacionária por causa da queda dos preços das commodities, o que tem levado bancos centrais de outros países, como México, Austrália e Nova Zelândia, a reduzir juros. Por outro lado, essa tendência pode ser contida devido às grandes injeções de dinheiro na economia mundial promovidas pelos governos do Japão e dos EUA.

Agenda

Na quarta-feira, saem números importantes que devem influenciar a decisão do Copom.

O IBGE divulgará o resultado do PIB brasileiro no primeiro trimestre. Dependendo da intensidade do crescimento da economia no início deste ano, o BC pode subir mais ou menos os juros. Perfeito espera uma alta de apenas 0,6%, mas há expectativas mais otimistas no mercado, como a do Bradesco, que projeta um aumento de 1%. Também pela manhã, a FGV divulgará o IGP-M de maio, que deve apontar para queda da inflação no acumulado dos últimos 12 meses devido ao recuo dos preços no atacado, acrescentou Perfeito.

Poder de Compra

Michael Viriato, professor do Insper, Instituto de Ensino e Pesquisa, diz que o investidor deve ficar atento às aplicações que estão rendendo abaixo da inflação e procurar alternativas para preservar seu poder de compra.

Hoje, alerta o especialista, a poupança nova -válida para depósitos feitos a partir de 4 de maio de 2012 e que rende 0,70% da Selic mais TR (Taxa Referencial, hoje zerada) paga menos que a inflação. "Quem tem poupança tem perdido poder de compra", diz. Uma alternativa são os títulos públicos atrelados à inflação, como as NTN-B (Notas do Tesouro Nacional). Viriato alerta, porém, que mesmo esses títulos estão sujeitos a oscilações de preços.

Riscos

Para quem busca mais retorno e não tem aversão a riscos maiores, o momento pode ser bom para investir em fundos atrelados à Bolsa, diz Viriato.

"Há muitos fundos de investimentos que têm rendido muito acima da inflação", diz, citando os fundos de dividendos (parcela do lucro de empresas distribuída aos acionistas), fundos de empresas de pequena capitalização (chamadas de small caps).

Eles têm ido muito bem, acima do índice Bovespa [principal índice da Bolsa brasileira]. Tenho uma expectativa mais positiva em relação ao Ibovespa até o final do ano", diz Viriato.

O consultor Paschoarelli adverte, porém, que qualquer investimento atrelado à Bolsa é uma operação muito mais arriscada e não se compara à renda fixa. "Ninguém deve entrar na Bolsa porque o amigo falou ou porque leu a matéria no jornal, mas sim porque estuda e sabe exatamente o que está fazendo".
 

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