Economia

Deflação em Alimentação e Habitação segura IPC

Da Redação ·
A despeito de a taxa do Índice de Preços ao Consumidor (IPC-S) na terceira quadrissemana de maio, de 0,18%, ter ficado abaixo da taxa projetada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), de 0,25%, o cenário da inflação na capital paulista não foi alterado, disse, nesta segunda-feira, 27, o economista e coordenador do IPC, Rafael Costa Lima, em entrevista ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado. "Ficou um pouco abaixo do que prevíamos. Os grupos Alimentação (-0,07%) e Habitação (-0,05%) ainda tiveram deflação. E é isso que ajudou no arrefecimento", justificou. Além do resultado do IPC ter ficado aquém do esperado, Costa Lima também previa taxas diferentes das anunciadas nesta segunda-feira (27) para Alimentação e Habitação, cujas expectativas eram de queda de 0,03% e estabilidade, respectivamente. O item energia elétrica, que mostrou retração de 2,39% na terceira medição do mês, frente a recuo de 2,70%, foi o principal responsável pela queda dos preços em Habitação, disse o economista da Fipe. "Ainda tem impacto forte da redução de PIS/Cofins nas tarifas de energia. Praticamente é isso que está levando à deflação. Corresponde a uma contribuição negativa de 0,09 ponto porcentual do índice cheio", afirmou. Quanto ao grupo Alimentação, apesar do declínio de 0,03% nos alimentos industrializados na terceira quadrissemana - a mesma taxa apresentada anteriormente -, Costa Lima ressalta que houve mudanças na composição do subgrupo na leitura em questão. "Os preços dos produtos derivados do leite aumentaram o ritmo de alta (de 0,42% para 1,12%), o que é justificado pelo aumento do leite longa vida (de 3,56% para 3,41%). Já os preços dos cereais passaram de 2,22% para 3,29%. Por outro lado, os panificados desaceleraram (de 0,75% para 0,05%)", ponderou. Além da elevação nos preços dos derivados do leite, Costa Lima também chama a atenção para o recuo menos acentuado das carnes bovinas, que saíram de queda de 1,81% para 0,62% na terceira medição de maio, e que podem ser fator de pressão do IPC nas próximas leituras. "Acredito que isso explica boa parte da queda de 0,40% dos semielaborados, depois de caírem 0,91%", avaliou, acrescentando que, da lista de carnes, a do frango foi a única a mostrar deflação ainda forte, de 7,78% na terceira leitura, contra declínio de 6,78%. A boa notícia foi que os preços dos alimentos in natura, que vinham contrariando as estimativas, demorando para diminuir a velocidade de alta, aceleraram a queda de 0,23% para 0,61% entre a segunda e a terceira quadrissemana. O movimento, segundo o economista, contou com efeito importante do comportamento dos preços dos legumes (de -5,65% para -7,41%). "E peso importante do tomate, que caiu 18,09% (de -15,40%)", disse. Na avaliação de Costa Lima, as altas de 0,66% em Vestuário e de 1,33% em Saúde vieram dentro do esperado. No primeiro caso, comentou, a elevação reflete a forte sazonalidade, enquanto no segundo ainda reage ao impacto do reajuste nos preços dos medicamentos de até 6,31% no fim de março. "O grande efeito já deve ter passado, mas ainda deve continuar", estimou. O item remédios saiu de um aumento de 3,36% para 2,63% na terceira quadrissemana de maio. "Já em Despesas Pessoais (alta de 0,34%), os refrigerantes não estão pressionando tanto, pois os preços caíram 0,19%, ante aumento de 1,62%. Jas as passagens aéreas ficaram mais caras (passando de queda de 0,89% para elevação de 0,22%). Talvez o período de baixa tenha terminado", concluiu.
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