Economia

Caoa consegue adesão de credores e prepara anúncio da compra do BVA

Da Redação ·

Por Toni Sciarretta SÃO PAULO, SP, 25 de maio (Folhapress) - O empresário Carlos Alberto de Oliveira Andrade, dono da concessionária de veículos Caoa, deve anunciar nos próximos dias a compra do Banco BVA, que está sob intervenção do Banco Central desde outubro do ano passado. Caoa teria conseguido a adesão de 90% dos credores do banco, oferecendo pagamento à vista de 35% do valor da dívida e de mais 35%, dependendo do sucesso na recuperação do banco. A Folha de S.Paulo adiantou, no final do mês passado, que o empresário estava próximo de conseguir esse percentual. Caoa pretende focar as operações do banco no financiamento de carros de sua concessionária e deve mudar o nome da instituição para Banco Caoa. A venda depende ainda de aprovação do Banco Central, que, além da adesão dos credores, quer saber se o empresário tem condições de tocar o banco. Caoa pretende contratar executivos de renome no mercado, alguns deles vindo do Banco Plural, de ex-sócios do antigo banco Pactual, que estruturou a operação. Junto com o FGC (Fundo Garantidor de Créditos), o empresário é o maior credor do banco, tendo a receber cerca de R$ 500 milhões aplicados em CDBs (Certificados de Depósito Bancário). Além do Plural, a operação foi conduzida pela financeira Solfin, que negociou com os pequenos investidores que compraram CDBs do banco. O BVA tem cerca de 5.000 credores. Entre eles, igrejas e pequenos fundos de pensão, que poderiam perder toda a aplicação deixada no banco. Entre os investidores, está a Prefeitura de Indaiatuba, com cerca de R$ 50 milhões a receber do BVA. Para os investidores com mais de R$ 25 milhões a receber do BVA, Caoa ofereceu a possibilidade de converter a dívida em ações do banco, "socializando" os eventuais ganhos com a recuperação da instituição financeira. A negociação com os credores foi marcada por idas e vindas. Em vários momentos, Caoa ameaçou desistir da compra do banco. Inicialmente, o empresário condicionou a aquisição à adesão de 95% dos credores, mas esse percentual era considerado impossível de ser atingido por envolver fundos de pensão que, por estatuto, não podem dar descontos tão grandes em dívidas como o proposto.  

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