Economia

Sem intervenção do BC, dólar fecha em alta e atinge maior nível desde dezembro

Da Redação ·

SÃO PAULO, SP, 24 de maio (Folhapress) - O dólar à vista, referência para as negociações no mercado financeiro, fechou hoje em alta de 0,31% em relação ao real, cotado a R$ 2,053 -maior nível desde 26 de dezembro do ano passado, quando ficou em R$ 2,0543. Na semana, a moeda americana acumulou avanço de 0,69%. A alta na cotação da moeda refletiu a cautela dos investidores com um possível corte de estímulos econômicos nos Estados Unidos, em meio a uma melhora consistente dos indicadores econômicos no país, o que poderia enxugar o volume de dólares que entram em países como o Brasil. O dólar comercial -utilizado no comércio exterior- fechou cotado em R$ 2,052 na venda, alta de 0,29% em relação ao fechamento de ontem. Nos EUA, foi divulgado hoje que as encomendas de bens duráveis aumentaram mais que o esperado em abril, um sinal de resiliência no setor industrial apesar do aperto fiscal em Washington e da fraqueza nos mercados externos. A continuidade de resultados positivos de indicadores econômicos americanos evidencia que a economia dos EUA tem conseguido andar com as próprias pernas e dá força para as perspectivas de que o Federal Reserve, banco central do país, irá interromper seu programa de compra mensal de títulos públicos, adotado para estimular uma recuperação. Uma vez adotado, o corte nos estímulos por lá pode contribuir para uma menor entrada da moeda americana em países como o Brasil, que já não tem registrado fluxo cambial positivo, segundo especialistas consultados pela reportagem. A menor oferta de dólares no mercado brasileiro contribuiria para a tendência de alta na cotação da moeda no médio prazo. Os especialistas também apontam que o que tem afastado os investimentos externos no país, diminuindo o volume de dólares no mercado e estimulando a alta de sua cotação, é o intervencionismo do governo Dilma na economia. Tal intervencionismo impediu a Petrobras de subir a gasolina, fez os bancos públicos reduzirem juros para forçar competição com os privados, diminuiu o ganho das empresas de energia para tornar mais barato o custo da eletricidade e promoveu o corte de uma série de impostos. "Os investidores internacionais veem o governo interferindo em diversos segmentos da economia constantemente. Isso assusta e afasta os estrangeiros do país", disse Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da Treviso Corretora. Banco Central O dólar segue cotado na casa de R$ 2,05, nível que era considerado por operadores como um teto para uma banda informal imposta pelo governo, a qual seria confortável tanto para a inflação quanto para as empresas no país. Como a autoridade não atuou no mercado quando a cotação da moeda ultrapassou R$ 2,05, alguns operadores já dizem que o novo teto dessa banda informal passou a ser de R$ 2,07. A última atuação do BC foi em 27 de março, quando realizou leilão de swap tradicional -equivalente a venda de dólares no mercado futuro- quando a cotação da moeda chegou a R$ 2,03 na venda. "O governo avisou que só vai voltar a intervir no câmbio quando houver volatilidade [alta ou baixa abrupta na cotação da moeda], mas nos últimos dias o comportamento do dólar tem sido consistente", avalia Galhardo. Para Waldir Kiel, da H. Commcor, o BC não interferiu no câmbio nos últimos dois dias porque vê uma entrada "mais pesada" de dólares no país em breve.  

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