Economia

Sem intervenção do BC, dólar ameniza alta e fica estável

Da Redação ·





SÃO PAULO, SP, 23 de maio (Folhapress) - Depois de ter subido quase 0,5 ponto percentual pela manhã com a queda generalizada nas Bolsas internacionais, o dólar à vista -referência para as negociações no mercado financeiro- amenizou a alta durante a tarde e fechou com leve valorização de 0,05%, cotado a R$ 2,047 na venda.

A contração da indústria chinesa pela primeira vez em sete meses aumentou a procura dos investidores por aplicações consideradas mais seguras, como o dólar, o que estimulou a alta da cotação da moeda no dia.

O movimento, porém, foi amenizado por algumas grandes operações pontuais de venda de dólares no mercado, segundo operadores consultados pela reportagem.

A moeda chegou a oscilar acima de R$ 2,05 ao longo do dia, nível que era considerado por operadores como um teto para uma banda informal imposta pelo governo, a qual seria confortável tanto para a inflação quanto para as empresas no país.

A autoridade, no entanto, não atuou no mercado de câmbio. Sua última atuação foi em 27 de março, quando realizou leilão de swap tradicional -equivalente a venda de dólares no mercado futuro- quando a cotação da moeda chegou a R$ 2,03 na venda.

"O governo avisou que só vai voltar a intervir no câmbio quando houver volatilidade [alta ou baixa abrupta na cotação da moeda], mas nos últimos dias o comportamento do dólar tem sido consistente", avalia Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da Treviso Corretora.

Para Waldir Kiel, da H. Commcor, o BC pode não ter atuado no câmbio hoje porque vê uma entrada "mais pesada" de dólares no país em breve.

"A Petrobras emitiu uma série de títulos no exterior nos últimos dias e sua presidente, Graça Foster, já disse que parte desse recurso virá para o país. Uma oferta maior de dólares no Brasil fará com que a cotação da moeda caia naturalmente", afirma Kiel.

Segundo operadores, o que tem afastado os investimentos externos no país, diminuindo o volume de dólares no mercado e estimulando a alta de sua cotação, é o intervencionismo do governo Dilma na economia.

Tal intervencionismo impediu a Petrobras de subir a gasolina, fez os bancos públicos reduzirem juros para forçar competição com os privados, diminuiu o ganho das empresas de energia para tornar mais barato o custo da eletricidade e promoveu o corte de uma série de impostos.

O dólar comercial, utilizado no comércio exterior, fechou o dia em leve queda de 0,19%, para R$ 2,046 na venda.
 

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