Economia

Brasil deve se preocupar com competitividade, diz chefe da OMC

Da Redação ·





Por Renata Agostini

BRASÍLIA, DF, 23 de maio (Folhapress) - Para o embaixador Roberto Azevêdo, eleito novo diretor-geral da OMC (Organização Mundial do Comércio), o país não deve se preocupar com o fato de apresentar saldos negativos na balança comercial, mas precisa discutir a competitividade de seus produtos no exterior.

Segundo ele, o deficit comercial não representa necessariamente um problema para a economia de um país, pois pode significar um maior nível de internacionalização. Ele afirmou, contudo, que a expansão das importações deve ser acompanhada de aumento das exportações.

"É preciso um diagnóstico profundo, não um foco no número apenas. O aumento da importação pode ser uma situação até positiva. Com a compra, por exemplo, de produtos de tecnologia, informática, que geram empregos no país. Precisamos é olhar para a competitividade. Essa é a questão que vai se colocar para o governo brasileiro", disse hoje, durante audiência pública na Comissão de Relações Exteriores do Senado.

De janeiro a abril, o Brasil acumula saldo negativo recorde de US$ 6,2 bilhões na balança comercial, que mostra a diferença entre as importações e as exportações. No período, houve aumento das compras externas e queda dos produtos vendidos a outros países.

Segundo Azevêdo, o país não deve se envergonhar de ser um grande produtor agrícola, mas precisa avançar em outros setores.

"Se não fôssemos um grande exportador agrícola, seria uma ineficiência inexplicável, porque todos os recursos estão aí. Temos capacidade técnica, tecnológica, de clima. Mas temos condição de atuar em todas as frentes. É importante que você migre para uma produção com maior valor agregado. De commodities brutas para agregadas. Não é difícil. O que precisamos é ter um salto de competitividade", afirmou.

Eleição

O embaixador brasileiro assumirá oficialmente o cargo de diretor-geral em setembro, em substituição ao francês Pascal Lamy, que esteve no comando da OMC por oito anos. Ele será o primeiro latino-americano a ocupar o posto.

Azevêdo é representante do Brasil na instituição desde 2008. Ele disputou o cargo com outros nove candidatos, numa campanha que contou com forte apoio da máquina estatal e participação direta da presidente Dilma Rousseff, que redigiu cartas com pedidos de apoio e circulou com o embaixador em eventos internacionais.

A escolha foi feita após três rodadas de debate, nas quais candidatos foram sendo dispensados. A eleição do diretor-geral da OMC é feita por "consenso". Ou seja, todos os membros devem apoiar ou, ao menos, não se opor a eleição do candidato para que ele seja de fato escolhido.

O brasileiro terá como principal desafio retomar as negociações da Rodada Doha para liberalizar o comércio mundial. O próximo encontro entre os países-membros será em Bali, em dezembro.

 

continua após publicidade