Economia

Guerra cambial seguirá em debate, diz Roberto Azevêdo

Da Redação ·





Por Renata Agostini

BRASÍLIA, DF, 21 de maio (Folhapress) - O embaixador Roberto Azevêdo, eleito novo diretor-geral da OMC (Organização Mundial do Comércio) afirmou hoje que o debate sobre o impacto da guerra cambial no comércio mundial seguirá entre os membros do órgão.

O Brasil foi o país responsável por levar a discussão à entidade e defende que a OMC introduza em seu conjunto de regras instrumentos de combate ao artifício, usado por nações desenvolvidas na tentativa de reanimar suas economias que vêm apresentando baixo crescimento.

"A OMC tem esse assunto sobre a mesa. Um grupo de trabalho já existe e está se reunindo com encontros duas vezes por ano. Tivemos uma reunião recentemente e haverá outra no segundo semestre. É um assunto que segue", afirmou Azevêdo após encontro com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, em Brasília.

Segundo o embaixador, apesar do debate já estar em curso, ainda não há consenso entre os membros sobre o tema.

"Não houve ainda nenhuma conclusão que apontem em alguma direção. Continua uma conversa exploratória, onde os membros trocam ideias e posições. Até o momento não houve tentativa de uma posição única", disse.

Azevêdo afirmou que Mantega não fez "nenhum pedido especial" durante a reunião. Ele afirmou que os dois conversaram sobre perspectivas para a Conferência de Bali, que ocorrerá em dezembro, o que se pode esperar do sistema multilateral de comércio nos próximos anos e como o Brasil se insere no processo.

"Conversamos sobre maneiras de fortalecer o sistema multilateral de comércio. No fundo, esse foi o intuito do governo brasileiro desde o começo quando lançou minha candidatura: fazer com que o multilateralismo volte a funcionar e a atuar com resultados", afirmou.

Segundo ele, a bandeira de defesa dos acordos multilaterais não significa uma oposição à costura de acordos regionais.

"Não somos contra eles [acordos bilaterais e regionais]. Nem o governo brasileiro, nem a OMC. São acordos com sua própria dinâmica, mas não trazem os benefícios que acordos multilaterais com 159 países trazem", disse.

Eleição

O embaixador brasileiro assumirá oficialmente o cargo em setembro, em substituição ao francês Pascal Lamy, que esteve no comando da OMC por oito anos. Ele será o primeiro latino-americano a ocupar o posto de diretor-geral da organização.

Azevêdo é representante do Brasil na instituição desde 2008. Ele disputou o cargo com outros nove candidatos, numa campanha que contou com forte apoio da máquina estatal e participação direta da presidente Dilma Rousseff, que redigiu cartas com pedido de apoio e circulou com o embaixador em eventos internacionais.

A escolha foi feita após três rodadas de debate, onde candidatos foram sendo dispensados. A eleição do diretor-geral da OMC é feita por "consenso". Ou seja, todos os membros devem apoiar ou, ao menos, não se opor a eleição do candidato para que ele seja de fato escolhido.

O brasileiro terá como principal desafio retomar as negociações da Rodada Doha para liberalizar o comércio mundial. O próximo encontro entre os países-membros será em Bali, em dezembro.
 

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