Economia

Companhias brasileiras na Bolsa lucram 12,3% menos no 1º trimestre, diz consultoria

Da Redação ·





Por Anderson Figo

SÃO PAULO, SP, 20 de maio (Folhapress) - As empresas listadas na Bolsa brasileira lucraram 12,3% menos no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período de 2012, segundo levantamento da Economatica divulgado hoje.

Foram analisados os lucros de 320 empresas que, juntos, somaram R$ 40,2 bilhões entre janeiro e março deste ano. Um ano antes, este valor havia sido de R$ 45,8 bilhões.

Dos 21 setores considerados na pesquisa, dez tiveram crescimento nos lucros na comparação anual, liderados pelo setor de comércio, cujo ganho passou de R$ 351,6 milhões no primeiro trimestre de 2012 para R$ 514,2 milhões entre janeiro e março deste ano -alta de 46,24%.

Apesar dos grandes bancos terem apresentado um crescimento modesto nos lucros no início deste ano, ou até queda, como o Santander, o setor bancário continua sendo o mais lucrativo.

O ganho das 24 instituições financeiras analisadas no levantamento totalizou R$ 11,55 bilhões no primeiro trimestre deste ano, ante R$ 11,53 bilhões vistos um ano antes.

As empresas siderúrgicas e metalúrgicas tiveram o pior desempenho nos lucros no período, com queda de 84,12%, passando de R$ 374,6 milhões para R$ 59,5 milhões.

Entre as empresas, a Petrobras foi a que teve maior lucro entre janeiro e março deste ano, de R$ 7,693 bilhões, queda de 16,51% em relação ao valor visto um ano antes.

Completam o ranking dos cinco maiores lucros no período a Vale (R$ 6,2 bilhões), o Itaú Unibanco (R$ 3,48 bilhões), o Bradesco (R$ 2,92 bilhões) e o Banco do Brasil (R$ 2,56 bilhões).

Já entre as companhias com os maiores prejuízos no período, destaque para o grupo EBX, de Eike Batista, que atravessa uma crise de confiança após não conseguir cumprir com promessas.

A OGX encabeça a lista, com perda de R$ 798,8 milhões no primeiro trimestre, seguida por MPX (prejuízo de R$ 250,9 milhões), Celesc (prejuízo de R$ 180,73 milhões), Usiminas (prejuízo de R$ 153,6 milhões) e Cobrasma (prejuízo de R$ 138 milhões).

Saiba analisar

Embora os lucros das empresas na Bolsa brasileira estejam menores, especialistas consultados lembram que os investidores devem ficar atentos a outros fatores na hora de investir em ações.

A perspectiva para o setor que a companhia atua é um desses fatores.

Pedro Galdi, analista da SLW Corretora, lembra que as empresas voltadas ao consumo doméstico, como as dos segmentos de educação e varejo, tiveram bom desempenho de janeiro a março. "É preciso buscar dados sobre a situação da empresa. Mesmo que o lucro dela tenha caído, é preciso considerar se ela está inserida em um setor promissor, com grande espaço para crescimento", diz o analista.

Muitas trazem essas informações em seus sites na internet, na área de relação com o investidor. Também é possível pedir dados à corretora que vai fazer a intermediação do negócio.

Para quem já possui ações dessas empresas, o educador financeiro Mauro Calil recomenda ter calma e esperar. "O investidor que tem condições de deixar o dinheiro investido em um prazo mais longo, o que é o ideal para quem está na Bolsa, deve verificar se existe potencial de lucro da empresa após o prejuízo. Se houver chance de isso acontecer, o recomendável é permanecer com ação", diz Calil.

Isso porque, se esperar uma recuperação e ela ocorrer, o aplicador reverte as perdas do momento.





Nº de empresas - Setor - Lucro 1º tri 2012, em R$ mil - Lucro 1º tri 2013, em R$ mil - Variação, em %

24 Bancos 11.532.710 11.559.033 +0,23

6 Petróleo e gás 9.328.540 7.054.447 -24,38

6 Mineração 6.795.022 6.147.748 -9,53

36 Energia elétrica 5.233.251 3.258.207 -37,74

73 Outros 3.196.529 3.227.861 +0,98

14 Alimentos e bebidas 2.683.155 2.984.760 +11,24

7 Telecomunicações 2.023.514 1.568.991 -22,46

11 Transporte e serviços 622.362 828.168 +33,07

4 Software e dados 625.077 705.217 +12,82

18 Comércio 351.623 514.220 +46,24

20 Construção 507.101 446.897 -11,87

9 Química 380.992 427.092 +12,10

9 Locadora de imóveis 814.273 373.501 -54,13

5 Papel e celulose 513.742 258.580 -49,67

6 Eletroeletrônicos 218.336 241.417 +10,57

26 Textil 201.173 226.678 +12,68

4 Máquinas industriais 161.738 161.681 -0,04

17 Veículos e peças 210.378 96.485 -54,14

18 Siderurgia e metalurgia 374.651 59.511 -84,12

3 Agronegócio e pesca 48.734 57.596 +18,18

4 Minerais não metais 41.688 29.865 -28,36
 

continua após publicidade