Economia

Dólar fecha em alta com sinais negativos dos EUA

Da Redação ·





SÃO PAULO, SP, 16 de maio (Folhapress) - O dólar à vista, referência para as negociações no mercado financeiro, hoje em alta de 0,24%, cotado a R$ 2,034 na venda. O movimento, segundo especialistas, reflete a cautela dos investidores após a divulgação de indicadores piores que o esperado nos EUA, em meio a incertezas sobre a continuidade dos estímulos econômicos do governo americano. O dólar comercial, utilizado no comércio exterior, fechou o dia com valorização de 0,19%, cotado a R$ 2,028 na venda.

O número de novos pedidos de auxílio-desemprego nos EUA subiu na semana passada no ritmo mais rápido em seis meses, um sinal preocupante para a economia, que tem sido prejudicada pela austeridade do governo. Além disso, o início de construções de novas moradias no país caiu mais que o esperado em abril.

Apesar de os resultados estimularem uma procura maior dos investidores por segurança, migrando para aplicações consideradas mais seguras, como o dólar, o mercado ainda está cauteloso se o governo americano vai seguir comprando títulos para injetar mais dinheiro na economia e estimular uma retomada.

Indicadores econômicos positivos desde o início do ano alimentaram algumas análises de que o Fed, banco central dos Estados Unidos, fosse reduzir o seu programa de compra de títulos. Porém, o enfraquecimento visto nos últimos dados de atividade econômica voltou a levantar dúvidas sobre as decisões de austeridade do governo do país.

Intervenção

A cotação do dólar ultrapassou hoje o nível de R$ 2,03 na venda, valor apontado por operadores como limite de uma banda informal considerada confortável pelo governo tanto para a inflação quanto para as empresas no país.

O dólar estava cotado em R$ 2,03 na venda quando o Banco Central atuou no mercado de câmbio pela última vez, em 27 de março, visando reduzir o valor da moeda.

De acordo com Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da Treviso Corretora, o BC não interviu no mercado porque o avanço do dólar é "consistente".

"A autoridade disse que interviria no mercado apenas para evitar volatilidade excessiva. O que vimos hoje foi uma subida moderada do dólar em relação ao real, acompanhando o movimento da moeda americana frente a outros pares no exterior, principalmente o euro", explicou.

O gerente também avalia que o fato de o Banco Central ter iniciado um ciclo de alta no juro básico nacional em abril também acaba freando em partes as intervenções da autoridade no câmbio. "Ele [o BC] mostrou que pretende combater a inflação com a Selic", disse Galhardo.
 

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