Economia

Copom deve manter Selic a 7,25% hoje, diz Focus

Da Redação ·
Copom deve manter Selic a 7,25% na quarta, diz Focus
fonte: TNONLINE
Copom deve manter Selic a 7,25% na quarta, diz Focus

Mesmo com a inflação tendo estourado o teto da meta definida pelo BC (Banco Central) em março, o mercado manteve a convicção de que a autoridade monetária não vai subir a taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic, para frear a alta dos preços -pelo menos no curto prazo.

Segundo o Boletim Focus divulgado  pelo BC, o mercado projeta que a Selic seja mantida em 7,25% ao ano na reunião desta quarta-feira (17) do Copom (Comitê de Política Monetária).

No médio e longo prazos, no entanto, a projeção do mercado é de alta da taxa básica de juros: para 7,75% ao ano na reunião de maio e para 8,50% até o fim do ano -taxa que deve permanecer estável ao longo de 2014, segundo o mercado.

Na semana passada, a expectativa era que a Selic subiria apenas 0,25 ponto percentual em maio.

O próximo encontro do Copom, que se reúne a cada 45 dias para definir o rumo da política monetária do país, será amanhã e quarta. Embora a expectativa mostrada pelo Focus seja de manutenção da Selic, o mercado futuro de juros já elevou no fim da semana passada a aposta de que o ciclo de aperto monetário comece já nesta semana.

Essa percepção aumentou após o presidente do BC, Alexandre Tombini, e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afinarem o discurso e concordarem com uma possível alta da taxa de juros. Tombini afirmou na sexta que não haverá tolerância com a inflação e que a autoridade monetária monitora "atentamente" todos os indicadores.

Em palestra em São Paulo o mesmo dia, Mantega afirmou que, para controlar a inflação, "medidas necessárias serão tomadas -mesmo não populares, como elevação de juros". Depois, falando a jornalistas, contemporizou. "Não sinalizei nada", completando: "O BC pode elevar os juros, se achar conveniente."

Crescimento x inflação
O BC enfrenta um dilema neste momento, com a inflação em alta e sinais recentes que reforçaram o cenário de fragilidade da recuperação econômica brasileira.

Apesar disso, os analistas consultados mantiveram a projeção de expansão do PIB (Produto Interno Bruto) de 3,00% em 2013, sem alteração em relação à projeção da semana anterior. Para 2014 também houve manutenção da perspectiva de crescimento: 3,50%.

Por outro lado, indícios de desaceleração da inflação brasileira levaram o mercado a reduzir a projeção para a alta do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) neste ano, de 5,70% para 5,68%. Para 2014, houve manutenção da perspectiva em 5,70%.

A aposta para o IPCA em abril subiram um pouco, de 0,40% para 0,42%, mas cederam em maio, de 0,33% para 0,32%. No acumulado dos 12 meses encerrados em março, o IPCA está em 6,59%, acima do teto da meta do governo (6,5%).

Dificuldades
A alta dos preços influenciou a queda de 0,4% das vendas no varejo em fevereiro ante janeiro e de 0,2% ante fevereiro de 2012 --o primeiro recuo anual desde novembro de 2003.

O cenário atual também mostra a dificuldade da produção industrial em deslanchar. Após forte alta em janeiro, ela recuou 2,5% em fevereiro.

Isso tudo colaborou para a queda de 0,52% do IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central), considerado uma espécie de "prévia" do PIB, em fevereiro.

No Focus, a perspectiva para a expansão da produção industrial neste ano foi mantida em 3,00%. A projeção para o câmbio no fim do ano ficou inalterada em R$ 2 reais pela sétima semana consecutiva.
 

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