Economia

Produção de veículos cai 9,1% em fevereiro após setor antecipar alta do IPI

Da Redação ·





Por Pedro Soares

RIO DE JANEIRO, RJ, 2 de abril (Folhapress) - O setor de veículos antecipou sua produção em janeiro diante da retirada gradual do incentivo do IPI (Imposto sobre Produto Industrializado) reduzido, o que fez a atividade não sustentar seu ritmo e registrar queda de 9,1% em fevereiro -a maior desde janeiro de 2012, quando caiu 29,3%.

"Setores beneficiados pela desoneração tributária adiantaram a fabricação de seus produtos em janeiro e não mantiveram o desempenho em fevereiro", disse André Macedo, técnico do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O mesmo ocorreu com o ramo de mobiliário, cuja produção caiu 9,9% de janeiro para fevereiro, após registrar expansão de 10,2% de dezembro para janeiro. O setor também sofre com a retirada gradual do desconto do IPI.

Os dois segmentos contribuíram para a perda de 6,8% de bens de consumo duráveis. "Há um certo esgotamento da política de redução do IPI em parte porque o consumo desses bens já foi atendido e há ainda a concorrência com importados especialmente de eletrodomésticos da linha marrom (TV, vídeo e outros)."

Além do IPI, os veículos também sofreram com a férias coletivas e parada da produção em algumas montadoras, de acordo com Macedo.

Apesar da queda na comparação com janeiro deste ano, o setor de veículos automotores ainda registra expansão na comparação com fevereiro de 2012, com alta de 6,4%. Nesse comparativo, cresceu tanto a produção de automóveis (0,6%) e como a de caminhões (24,2%).

A expansão da fabricação de caminhões é um dos motivos do bom desempenho de bens de capital, única categoria com resultado positivo em janeiro (1,6%).

Segundo Macedo, porém, a maior produção de caminhões, que teve uma forte queda em 2012, não explica, sozinha, a alta de bens de capital (máquinas e equipamentos).

O resultado favorável dessa categoria, diz, "mostra um certo alento" para a indústria, que, de modo geral, "praticamente eliminou em fevereiro" os ganhos auferidos em janeiro e teve "um perfil de queda disseminado".

É que, afirma, o crescimento de bens de capital pode sinalizar uma recuperação do investimento, o que "confere uma qualidade maior ao desempenho da indústria". Isso porque a maior produção de máquinas, equipamentos e caminhões indica o aumento da capacidade produtiva e de escoamento da produção.

Ao contrário de janeiro, quando o crescimento de bens de capital se baseou praticamente em caminhões, a categoria sofreu impacto positivo de máquinas e equipamentos usados pela indústria, agricultura e produção.

Um bom sinal é que o crescimento de bens de capital, afirma, é "espalhado" e atingiu, em fevereiro, 61,9% dos produtos da categoria, acima da média histórica (56,4%). O dado veio na contramão da indústria geral, que registrou um percentual menor de produtos com alta (38,4%) do que a média iniciada em 2002 (43,4%).

Macedo ressalta, porém, que os índices de confiança de empresários mostram ainda uma recuperação lenta e não compatível com o bom desempenho de bens de capital no começo deste ano.
 

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