Economia

Governo central registra em fevereiro maior deficit para o mês

Da Redação ·

Por Renata Agostini BRASÍLIA, DF, 27 de março (Folhapress) - O resultado primário do governo central, que representa a economia feita para o pagamento dos juros da dívida, ficou negativo em R$ 6,4 bilhões em fevereiro. Este é o pior resultado já registrado para o mês. Em fevereiro do ano passado, o governo central havia registrado superavit primário de R$ 5,4 bilhões. As informações foram divulgadas hoje pelo Tesouro Nacional. Em janeiro deste ano, o superavit primário foi recorde para o mês ao atingir R$ 26,5 bilhões. As contas do governo central são apuradas a partir dos resultados de Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência Social. O desempenho de fevereiro foi possibilitado por uma arrecadação de R$ 76,3 bilhões, queda de 35% na comparação com janeiro (R$ 117,3 bilhões) e despesas de R$ 61,5 bilhões, redução de 18,4% em relação ao mês anterior (R$ 75,6 bilhões). A meta de superavit primário do governo central para este ano é de R$ 108,1 bilhões. O valor corresponde à chamada "meta cheia", que não inclui eventuais abatimentos dos gastos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), manobra permitida pela lei. Nos dois primeiros meses do ano, o governo garantiu 19% do resultado estabelecido para 2013. A meta de economia para todo o setor público, que inclui as contas dos Estados, municípios e das empresas estatais, é de R$ 155,9 bilhões. No primeiro mês do ano, o superavit do governo central foi de de R$ 26,1 bilhões, 25,6% superior ao registrado no mesmo mês de 2012. Foi um recorde para janeiro e só não superou a arrecadação de dezembro do ano passado, que foi a melhor já registrada pelo país em um único mês: R$ 28,3 bilhões. As receitas totais arrecadadas em janeiro foram 2,2% maiores que em dezembro, atingindo R$ 117,3 bilhões. As despesas totais caíram 4,2% na comparação com dezembro de 2012, totalizando R$ 75,6 bilhões em janeiro de 2013. Em 2012, o superavit primário alcançou R$ 88,5 bilhões, uma queda de 5,6% em relação ao de 2011. Com isso, o resultado ficou quase 10% abaixo da meta cheia estipulada para o governo central no ano. O saldo de dezembro, entretanto, foi o melhor já registrado pelo país em um único mês: R$ 28,3 bilhões. Tal resultado só foi possível devido ao que ficou conhecido como "contabilidade criativa do governo". Para chegar ao número e garantir o cumprimento da meta para o ano, o governo resgatou R$ 12,4 bilhões do Fundo Soberano do Brasil (FSB) e recorreu a um vaivém de títulos e ações para engordar os dividendos recolhidos das estatais. As trocas de envolveram Tesouro Nacional, BNDES e Caixa Econômica e resultaram em R$ 28 bilhões em dividendos, frente a R$ 19,9 bilhões verificados no ano anterior.  

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