Economia

Para construir refinaria no CE, empresa terá de doar terreno aos indígenas

Da Redação ·





Por Denise Luna

RIO DE JANEIRO, RJ, 22 de março (Folhapress) - A Funai liberou a construção da refinaria Premium II da Petrobras, no Ceará, em um terreno cuja posse era reivindicada pelo povo indígena Anacé, e por outras famílias que moravam no local. Segundo a Funai, a condição para a construção da refinaria é a aquisição de um terreno de 700 hectares no município de Caucaia, onde será constituída a Reserva Indígena Anacé.

Também deverá ser garantida a infraestrutura básica nesse terreno para a realocação das famílias de Bolso e Matões, que também moravam no local pretendido pela Petrobras.

A pedra fundamental da refinaria Premium II foi lançada no dia 28 de dezembro de 2010, no apagar das luzes do governo Lula. A área para a implantação da refinaria fica no Complexo Industrial do Porto de Pecém (CIPP). A unidade deverá produzir diesel com baixo teor de enxofre, querosene de aviação, nafta, gás de cozinha e bunker (combustível de navio). A refinaria Premium II tem previsão de ficar pronta em dezembro de 2017, com capacidade para processar 300 mil barris diários de petróleo.

A anuência da Funai era o que faltava para a concessão da Licença de Instalação da refinaria pelo governo do Estado do Ceará.

Sem Previsão

Apesar de confirmada pela Petrobras, a refinaria Premium II, assim como a Premium I, no Maranhão, ainda está em fase de projeto. As duas unidades foram idealizadas para exportar derivados, mas com o crescimento do mercado interno mudaram de perfil. Ainda não há previsão de quando começarão a ser construídas.

O governador do Ceará, Cid Gomes, disse à Folha de S.Paulo no ano passado, após uma reunião no Rio de Janerio com a presidente da Petrobras, Graça Foster, que a refinaria Premium II deverá custar no máximo US$ 11,4 bilhões, ou US$ 38 mil por barril de petróleo. A Petrobras não informa o custo das refinarias individualmente.

O governador vem buscando parceiros para a unidade, conforme informou na ocasião, a pedido da Petrobras.

"Muito provavelmente o caminho será associações, parcerias com empresas chinesas ou coreanas, no caso específico do Ceará", explicou na época.

A Petrobras não comentou o assunto.
 

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