Economia

Brasil e China querem aumentar relações, diz diplomata

Da Redação ·
O ex-embaixador do Brasil na China Clodoaldo Hugueney disse nesta sexta-feira que há interesse dos dois países em aprofundar as relações, que, de acordo com ele, cresceram de forma "espetacular" nos últimos cinco anos. "Acho que a relação tem tudo para seguir crescendo, não só no plano político, como no econômico", afirmou. Em palestra promovida pelo Conselho Empresarial Brasil-China, em parceria com a BRF, em São Paulo, Hugueney lembrou que a presidente Dilma Rousseff e o presidente Xi Jinping se encontrarão na próxima semana, em Durban, na África do Sul, na reunião de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul (Brics). "O diálogo entre os presidentes é fundamental. Xi Jinping esteve no Brasil quando ainda era vice-presidente e tem interesse em aprofundar as relações com o Brasil." O ex-embaixador do Brasil na China disse que, à medida que a relação se torna mais estreita, mais acordos comerciais podem ser firmados. "Quando o ex-presidente Lula (Luiz Inácio Lula da Silva) esteve na China, em 2009, foram assinados mais de 20 importantes acordos. Quando a Dilma esteve na China, em 2011, foram assinados outros tantos acordos. Sempre há novos acordos a serem assinados", afirmou. Hugueney afirmou que o Brasil não tem "grandes problemas" com a China. "A relação política é boa, atuamos em áreas diferentes, os dois países estão a milhas de distância um do outro, em áreas geoestratégicas bastante opostas." O ex-embaixador do Brasil disse, contudo, que ainda existem entraves, especialmente na área comercial e de investimento. "Mas é um problema fácil de equacionar. É sentar à mesa, discutir e negociar." Segundo Hugueney, há três tarefas que o País precisa priorizar para melhorar a relação com a China. Primeiro, o ex-embaixador disse que o Brasil tem de se dedicar a realizar reuniões mais sérias com o lado chinês. "Essa não é uma tarefa só do governo, mas do setor empresarial, da sociedade civil, do Parlamento. Não dá mais para continuar empurrando a relação com a barriga, senão os chineses vão controlar a relação." A segunda, conforme Hugueney, é ter coordenação quando se for negociar com os chineses. "Não se pode ter uma visão apenas setorial, negociando num momento agricultura e em outro agronegócio. Tem de ter coordenação setorial, mas tem de ter visão global. Onde essas peças se encaixam? Porque é assim que o outro lado (chinês) pensa." Por último, o ex-embaixador declarou que falta ao País planejamento de longo prazo. "Deixado a seu curso, o Brasil vai continuar fornecendo matérias-primas para a China. Não há nada de errado em exportar commodity, mas não pode ser só isso."
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