Economia

Manifestantes deixam canteiro de Belo Monte e obra é retomada

Da Redação ·

SÃO PAULO, SP, 22 de março (Folhapress) - O grupo de índios, ribeirinhos e pequenos agricultores que invadiu na madrugada de ontem um canteiro de obras da hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, deixou o local ainda à noite após reunião com integrantes do governo federal e da Norte Energia, empresa responsável pela hidrelétrica. Em nota, a Norte Energia diz que prestou esclarecimentos aos invasores e que as reivindicações já estavam sendo "objeto de análise e trabalho" pelo plano de compensações ambientais. Não foi firmado nenhum novo compromisso. De acordo com o Movimento Xingu Vivo, entidade contrária a Belo Monte, os pequenos agricultores se queixavam da indefinição sobre a regularização fundiária das áreas que ocupam, perto das obras. Já índios e ribeirinhos reclamavam da demora no cumprimento de condicionantes como o fornecimento de água potável por poços artesianos. A Norte Energia diz que a questão dos agricultores está a cargo da Funai (Fundação Nacional do Índio), porque eles serão remanejados devido à remarcação de terras indígenas na região. Após a desocupação do canteiro Pimental, onde 6.000 trabalhadores trabalham na construção da casa de força complementar da hidrelétrica, a obra foi retomada ainda na noite da quinta-feira. Esse foi o segundo protesto em Belo Monte envolvendo índios neste ano. Em janeiro, eles fecharam o acesso ao sítio Pimental durante três dias, reclamando de impactos da obra ao rio Xingu, e terminaram o protesto após garantia de indenização. No ano passado, índios chegaram a realizar um quebra-quebra nos escritórios da obra. No início deste mês, operários tocaram fogo em alojamentos. A hidrelétrica de Belo Monte, em construção na região de Altamira (900 km de Belém), tem conclusão prevista para 2019 e deverá ser a terceira maior do mundo.  

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