Economia

Com mau humor externo, Bovespa cai para menor nível em quatro meses

Da Redação ·





SÃO PAULO, SP, 21 de março (Folhapress) - Seguindo o mau humor dos mercados internacionais, o principal índice de ações da Bolsa brasileira, o Ibovespa, fechou hoje em queda de 0,81%, aos 55.576 pontos. Essa é a menor pontuação do índice desde 16 de novembro de 2012, quando ficou em 55.402 pontos.

Os investidores, já abalados pela crise da dívida do Chipre, avaliaram também dados negativos da atividade econômica europeia, que ofuscam indicadores divulgados nos EUA. Papéis de grande representatividade no índice, como os mais negociados da Petrobras, que registraram perdas de 1,69%, pressionaram o desempenho da Bolsa.

"Hoje foi um dia atípico. Com dados positivos da atividade chinesa e o posicionamento do governo americano dizendo que vai manter estímulos à economia, o mais provável era que as Bolsas subissem. Os investidores, porém, não se sentem confiantes a aplicar em ações enquanto a crise na Europa não mostra sinais de controle", disse Elad Revi, da Spinelli Corretora.

As ações da MMX, empresa do ramo de mineração do grupo EBX, de Eike Batista, lideraram as baixas do Ibovespa, com perda de 7,01%. O movimento ainda é reflexo das análises negativas sobre a companhia, depois que ela divulgou um aumento em seu prejuízo de quase 37.000% em 2012.

"As empresas do grupo EBX tendem a ter um comportamento volátil, oscilando entre altas e baixas, devido ao valor de seus papéis. Como custam entre R$ 2 e R$ 3 (as que pertencem ao Ibovespa -OGX, LLX e MMX), qualquer centavo para mais ou para menos já dá uma variação percentual considerável", afirmou Revi.

As ações da Cemig fecharam em alta de 1,35%. Ontem, os papéis mais negociados da companhia caíram 13,9% após análises de bancos de investimento dizendo que o lucro da empresa vai cair depois que o órgão regulador do setor revisou para baixo a base de cálculo para a nova tarifa de energia que a empresa cobrará a partir de abril.

Agenda Econômica

No Brasil, o Indicador Serasa Experian de Atividade Econômica cresceu 1,1% em janeiro na comparação com o mês anterior, já descontadas as influências sazonais. Foi a maior variação mensal dos últimos 34 meses. O número não foi suficiente para ofuscar as referências negativas vindas do exterior.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, reforçou hoje que é preciso "reduzir custos e tributos" para tornar o Brasil mais competitivo no cenário internacional. Segundo o ministro, a crise econômica mundial "ainda não foi debelada", mas a economia brasileira inicia 2013 com condições internas e externas mais favoráveis que em 2012.

Europa e EUA

Na Europa, o Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) preliminar do instituto europeu Markit, que reúne tanto indústria quanto serviços, setores que juntos respondem por mais de dois terços da economia alemã, caiu para 51,0 pontos em março ante 53,3 pontos em fevereiro.

Os dados, que sugerem que a maior economia da Europa terá crescimento fraco neste trimestre, compensaram uma retomada na atividade industrial da China e o comprometimento do Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, com o seu programa de estímulo.

Também nos EUA, o número de americanos entrando com novos pedidos de auxílio-desemprego subiu na semana passada, mas ficou abaixo do esperado pelo mercado.

No setor imobiliário, o índice de venda de casas usadas nos EUA subiu para 4,98 milhões em fevereiro, pouco menos que os 5 milhões esperados, mas acima do visto em janeiro (4,94 milhões). Já o indicador que mede a atividade industrial na região da Filadélfia aumentou 2 pontos em março, contra expectativa de retração de 3 pontos e tendo contraído 10,5 pontos em fevereiro.

Chipre

O Banco Central Europeu (BCE) deu ao Chipre o prazo de até segunda-feira para levantar bilhões de euros com o objetivo de acertar um resgate internacional, ou enfrentará a perda de recursos emergenciais para seus bancos e o inevitável colapso.

O ultimato foi dado no momento em que os líderes da ilha realizam discussões sobre um "plano B" para tentar levantar 5,8 bilhões de euros exigidos pela União Europeia (UE) para que o país receba um resgate de 10 bilhões de euros, depois que parlamentares chamaram um possível novo imposto sobre depósitos bancários de "roubo".

O governo de Chipre enviou hoje ao Parlamento um projeto de lei para reestruturar o sistema bancário do país, o que permitiria a reabertura do segundo maior banco cipriota na terça-feira e manteria a porta aberta para uma ajuda adicional do BCE, segundo o presidente do Banco Central do Chipre, Panicos Demetriades.

 

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