Economia

Elétricas despencam e Bovespa fecha no menor nível em duas semanas

Da Redação ·

Por Anderson Figo SÃO PAULO, SP, 20 de março (Folhapress) - Lideradas pela Cemig, as ações do setor elétrico caíram forte hoje e guiaram o principal índice da Bolsa brasileira para seu menor patamar em duas semanas. O Ibovespa fechou em queda de 0,59%, aos 56.030 pontos -nível mais baixo desde 5 de março, quando terminou o dia em 55.950 pontos. O movimento negativo do setor elétrico decorre de análises sobre o impacto da nova revisão tarifária das empresas de energia no país. As ações mais negociadas da Cemig tiveram hoje a maior queda entre os papéis que compõem o Ibovespa, de 13,95%, para R$ 22,20 cada. Ajudando a puxar o índice para baixo, os papéis preferenciais (mais negociados e sem direito a voto) e ordinários (com direito a voto) da Petrobras tiveram baixas de 1,30% e 1,25%, respectivamente. Ambos possuem, juntos, peso em torno de 10% sobre o Ibovespa. O mercado de ações brasileiro foi na contramão das Bolsas internacionais, que fecharam em alta nesta quarta-feira. O otimismo externo decorre da perspectiva de que o governo do Chipre irá chegar a uma solução rápida para honrar seus débitos. Além disso, também animou os investidores lá fora a manutenção da taxa de juros dos EUA em seu menor nível histórico, entre 0% e 0,25% ao ano. A autoridade também disse que vai manter os estímulos econômicos aplicados no país, a despeito dos indicadores evidenciando uma retomada da atividade. Elétricas em Queda O movimento negativo do setor elétrico decorre da análise feita pelos bancos de investimentos hoje da notícia de que a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) definiu em R$ 5,11 bilhões a base de remuneração líquida que será utilizada para definir a revisão tarifária deste ano para a Cemig Distribuição, conforme publicado no Diário Oficial da União semana passada. Anteriormente, a própria Aneel previa uma base regulatória de R$ 6,7 bilhões, de acordo com analistas. A mudança pode significar um reajuste bem menor na tarifa cobrada pela Cemig. A base regulatória é usada para calcular a tarifa que cada empresa vai cobrar pelo fornecimento de energia. Logo, quanto maior for o valor determinado pelo agente regulador, maior também será o lucro da companhia elétrica. Para o analista Vinicius Canheu, do Credit Suisse, essa mudança na base regulatória vai reduzir em 24% o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da Cemig. "Agora esperamos que a decisão traga novamente incertezas para o setor", disse. O BTG Pactual avalia que a ação da empresa possa perder R$ 2,80 com a notícia. Segundo o banco, caso não haja nenhuma mudança e a Aneel resolva não voltar atrás, o preço-alvo para os papéis será cortado de R$ 27,00 para R$ 24,20 em 2013. Para o analista Pedro Galdi, da SLW Corretora, o mercado teve uma reação exagerada à notícia devido a proximidade com a data em que passarão a valer as novas tarifas do setor, no dia 8 de abril. "A própria Cemig já esperava que fosse haver essa redução, com impacto negativo de cerca de 30% em seu Ebitda. A companhia pretende neutralizar essa perda com redução de gastos desnecessários", afirmou. Em teleconferência nesta tarde para comentar o ocorrido, a direção da companhia reiterou que o retorno dos ativos de distribuição ainda será atrativo, acreditando que as razões para a redução dos valores tenha motivação estritamente técnica. "A falta de clareza do porque desta forte alteração, ainda que dentro do esperado pela companhia, mantém no mercado um clima de expectativa e apreensão, cuja reversão se dará com a efetiva confirmação de valores adequados a continuidade dos negócios e compatíveis com a sua rentabilidade futura", disse Victor Martins, da Planner Corretora. Outras ações do setor elétrico também foram influenciadas pela notícia sobre a Cemig e tiveram fortes perdas. A Light, que pertence à Cemig, teve perda de 6,20% hoje, enquanto os papéis mais negociados da Eletrobras caíram 4,33%. Multiplus x Smiles Também em foco no dia, as ações da Multiplus -empresa responsável pelo programa de fidelidade da TAM- tiveram leve baixa de 0,64%. A companhia divulgou hoje um prospecto com as primeiras informações sobre a emissão de novas ações que está fazendo. De acordo com o documento, a Multiplus vai vender 27 milhões de ações ordinárias, número que pode ser ampliado em até 20% dependendo da demanda -o chamado lote suplementar. Ao todo, considerando a emissão de papéis pelo lote suplementar, a oferta da empresa pode gerar R$ 1,03 bilhão. A operação é coordenada pelo BTG Pactual e pelo JP Morgan e inclui esforços para venda nos EUA para investidores institucionais qualificados. Os recursos serão usados para compras antecipadas de passagens junto à TAM. O início dos negócios com os papéis está previsto para 18 de abril. O preço das ações deve ser definido dois dias antes, em 16 de abril. A venda de ações da Multiplus ocorre em um momento em que a rival Smiles, responsável pelo programa de fidelidade da Gol, se prepara para também fazer uma oferta de papéis para estreiar na Bolsa brasileira. As ações da Gol, controladora da Smiles, caíram 5,92%. De acordo com Bianca Faiwichow, analista do GBM (Grupo Bursatil Mexicano), o mercado teme que não haja demanda para as duas ofertas de ações no mesmo setor em tão pouco tempo. "A oferta da Multiplus é de até R$ 1 bilhão. É um valor bem expressivo e isso pode prejudicar a operação da Smiles. Mesmo que as companhias atuem em um setor promissor, o mercado fica com receio de que a oferta da Multiplus possa reduzir o valor que a Smiles planeja captar com sua estreia na Bolsa", disse Bianca.  

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