Economia

Mineradora vende produção de ouro no Pará e no Canadá por US$ 1,9 bi

Da Redação ·





Por Pedro Soares

RIO DE JANEIRO, RJ, 6 de fevereiro (Folhapress) - Para fazer caixa e ampliar sua capacidade de investimento em projetos prioritários (os de minério de ferro, em especial), a Vale decidiu vender à mineradora canadense Silver Wheaton a produção de ouro da mina do Salobo (PA) e das minas de níquel do Sudbury (Canadá) por US$ 1,9 bilhão, nas quais o metal precioso é um subproduto.

O pagamento dessa quantia será em dinheiro e imediato. A Vale se comprometeu a fornecer 25% do fluxo de ouro produzido no Pará durante toda a vida útil do projeto de Salobo e 70% das minas canadeneses de níquel pelo período de 20 anos.

Adicionalmente, a Vale receberá pagamentos em dinheiro no futuro a cada onça (medida usada internacionalmente para o ouro) entregue a Silver Wheaton, conforme os termos do acordo fechado entre as duas empresas.

O preço de referência será o menor entre US$ 400 por onça (mais um ajuste anual para a inflação de 1% a partir de 2016 no caso do Salobo) e o preço de mercado na ocasião da venda.

A Vale informa que não há compromisso da empresa em relação às quantidades de ouro entregues. O acordo foi fechado em torno dos percentuais do ouro produzido como subproduto nas minas, e não a volumes específicos.

Desse modo, diz a mineradora, o risco operacional é reduzido --em caso, por exemplo, de parada da produção por intempéries climáticas e outros problemas.

Segundo a Vale, a "a transação libera considerável valor contido em nossos ativos de metais básicos de classe mundial, na medida em que atribui ao ouro" a ser produzido como subproduto da mina de Salobo o valor de US$ 5,32 bilhões --considerando os termos do contrato e a expectativa de produção.

A Vale ressalta que não terá "custos adicionais para a extração do ouro contido no cobre produzido em Salobo", já que trata-se de um subproduto.

O investimento estimado para projeto localizado no Pará (minas Salobo I, já em operação, e Salobo II) é de US$ 4,2 bilhões, dos quais US$ 3,05 bilhões foram investidos até 31 de dezembro de 2012. A capacidade é 200 mil toneladas anuais de cobre em concentrado mais o ouro produzido como subproduto.

Segundo a Vale, a transação integra um rol de "mudanças" em sua estratégia cujo "o objetivo é de melhorar consideravelmente o desempenho e gerar valor para o acionista de forma sustentável."

A Vale diz ainda que o negócio faz parte do plano de sair de ativos que não fazem parte do foco principal da mineradora. "A Vale está buscando a redução da estrutura de custos e elevação de produtividade através da simplificação dos fluxos do processo produtivo e a paralisação de operações não rentáveis."
 

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