Economia

Petrobras ganha fôlego; mercado se frustra

Da Redação ·

Por Denise Luna, Pedro Soares e Tatiana Freitas RIO DE JANEIRO, RJ, E SÃO PAULO, SP, 30 de janeiro (Folhapress) - A decisão de anunciar o reajuste da gasolina e do diesel ontem tomou a própria Petrobras de surpresa. Sabia-se internamente que a decisão não passaria de fevereiro, depois que as tarifas de energia caíram em média 18% para os consumidores residenciais, aliviando a pressão sobre a inflação. Mas chamou a atenção a rapidez: a decisão do governo veio ontem para que o aumento já valesse a partir da meia-noite de hoje. A definição do percentual passou pelo ministro Guido Mantega (Fazenda) e teve o aval da presidente Dilma Rousseff. A presidente da Petrobras, Graça Foster, negociava com o governo um reajuste maior, na faixa de 7%, para a gasolina. Mas a empresa considera que o aumento ficou de "bom tamanho" e proporcionará folga de caixa à estatal. A reportagem apurou que a estimativa é que os novos preços de combustível injetem cerca de R$ 7 bilhões neste ano no caixa da empresa. Já o mercado considerou o reajuste insuficiente frente ao ambicioso plano de investimento de US$ 236,5 bilhões até 2016 e teme um endividamento maior da companhia para executá-lo. Por isso, as ações preferenciais caíram 4,81% e as ordinárias, 5,27%, enquanto o Ibovespa cedeu 1,77%. Mercado Inseguro A Petrobras já atingiu um nível de endividamento muito alto, o que está chamando a atenção das agências de rating, disse o analista da Planner Luiz Caetano. Ele lembra que a companhia contava com a venda de ativos no valor de US$ 14,5 bilhões para equilibrar as contas, o que não aconteceu devido ao enfraquecimento do mercado internacional. Segundo o especialista em petróleo e gás da FGV Alberto Machado, o aumento menor do óleo diesel teve objetivo de evitar impacto maior na indústria. Já o consultor do Centro Brasileiro de Infraestrutura Adriano Pires afirmou que o mercado refletiu hoje duas frustrações: "Foi menos do que o BC indicava e trouxe receio de que um novo aumento só aconteça depois das eleições de 2014, porque foi pontual, em cima da queda de tarifa que não vai acontecer de novo", afirmou. Preços Internacionais Apesar de cair com o reajuste anunciado ontem, a defasagem entre os preços dos combustíveis praticados no Brasil e a referência internacional (Golfo do México) continua elevada. As projeções de três consultorias variam entre 6,7% (Tendências) a 11,2% (CBIE) para a gasolina e de 19,7% (CBIE) a 21,8% (Tendências) para o óleo diesel. Antes do aumento de preço, a defasagem entre o preço interno e externo da gasolina estava em 16,7% e a do diesel, em 23,8%. "O reajuste alivia um pouco, mas está longe do ideal. A Petrobras continua tendo prejuízo com a operação", diz Walter de Vitto, especialista em petróleo da Tendências Consultoria. Segundo ele, desde o final de 2010 os preços domésticos estão "consistentemente" abaixo dos praticados no mercado internacional.  

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