Economia

Líder democrata encerra sessão do Senado sem acordo fiscal

Da Redação ·

SÃO PAULO, SP, 30 de dezembro (Folhapress) - O líder da maioria democrata do Senado, Harry Reid, encerrou hoje a sessão da Câmara Alta sem indícios de um acordo a menos de 30 horas do abismo fiscal. "Vamos retornar amanhã às onze da manhã (horário local). Teremos mais anúncios, é o que espero", disse Reid. Suas declarações deixaram claro que, pelo menos neste domingo, não haverá nenhum voto no Senado, apesar de seguirem as negociações entre democratas e republicanos. Democratas e republicanos se dedicaram hoje a destravar as negociações por um acordo para evitar o abismo fiscal. Em reunião especial, eles debateram sobre como evitar um abrupto aumento de impostos e cortes automáticos do gasto público que entrarão em vigor no dia 1º de janeiro se não houver um acordo bipartidário no Congresso. Em um breve discurso no plenário do Senado, o líder da minoria republicana, Mitch McConnell, reiterou a queixa de seu partido que os democratas ainda não apresentaram uma contraproposta ao plano que os republicanos propuseram na noite de ontem. "Desejo o melhor a McConnell e ao vice-presidente. Enquanto isso, seguirei tentando apresentar algo, mas neste momento não tenho uma contraoferta. Seguimos divididos sobre assuntos muito grandes", explicou Reid, que se manifestou "esperançoso, mas realista" sobre um possível acordo. Declarações O presidente dos EUA, Barack Obama, afirmou hoje que a intransigência dos republicanos provocou a crise do abismo fiscal. A declaração foi feita durante entrevista ao programa "Meet the Press", da rede NBC. Obama disse que foi muito difícil para os republicanos aceitarem que os impostos para os americanos mais ricos deveriam aumentar, como parte do pacote de redução do deficit. O presidente também disse que, pela maneira com que os republicanos se comportam, sua única preocupação parece ser proteger as vantagens fiscais dos mais ricos. O chefe dos republicanos na Câmara dos Deputados, John Boehner, respondeu às declarações do presidente e disse que Obama foi eleito "para dirigir e não para acusar" Segundo Boehner, um tema recorrente nas discussões tem sido a recusa de Obama em "aceitar qualquer coisa que o faça ter que confrontar seu próprio partido". Divergências Em geral, os democratas se opõem a que seja incluída no pacote fiscal a nova fórmula para calcular as pensões, por considerar que outras concessões já foram feitas. Como exemplo dessa "flexibilidade", os democratas afirmam que estão dispostos a elevar o teto para a prorrogação dos cortes tributários até um nível de renda de US$ 400 mil anuais, e que, além disso, fariam concessões em relações aos cortes ao patrimônio. Consequências Sem um acordo este fim de semana, o país estaria diante de um total de cerca de US$ 500 bilhões em aumentos de impostos e cortes ao gasto público. Essa austeridade, embora necessária para reduzir o deficit, poderia afundar o país em nova recessão em 2013, segundo os analistas.  

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