Economia

Investimento ditará ritmo de crescimento em 2013

Da Redação ·

Por Lucas Vettorazzo RIO DE JANEIRO, RJ, 19 de dezembro (Folhapress) - A velocidade da recuperação do investimento ditará o ritmo de crescimento da economia brasileira no ano que vem, apontou o Ipea (Insitituto de Pesquisa Econômica Aplicada) na última edição da Carta Conjuntura 2012, referente a dezembro deste ano. A carta, que reúne os principais números da economia brasileira já divulgados ao longo do ano, foi divulgada hoje, no Rio. "Toda recuperação cíclica tende a ser puxada pelo investimento", afirmou o economista Fernando Ribeiro, coordenador do GAP (Grupo de Análise e Projeção) do Ipea. O investimento, contudo, apresenta uma variável que tem travado sua evolução neste momento, que é a queda do consumo de bens duráveis. Os bens duráveis, como carros, não foram bem este ano, mesmo com as medidas de estímulo lançadas pelo governo federal. "A redução do consumo dos bens industriais desestimulam o investimento, gerando um circulo vicioso", disse. A redução do consumo de bens duráveis, disse ele, pode estar ligada ao alto endividamento da população, que, por sua vez, pode estar fazendo opção por assumir dívidas de longo prazo e de produtos essenciais, como imóveis. Outra hipótese seria o ajuste de dívidas passadas. Há, no entanto, um certo mistério sobre o comportamento da economia. Por um lado, há a manutenção dos índices de emprego e aumento da renda e por outro, queda no demanda por bens de consumo. "Há algumas questões que precisam ser esclarecidas na economia, como a relação do baixo consumo com o pleno emprego. Eu não gosto de usar a palavra mistério, mas são questões que precisam ser analisadas", afirmou Ribeiro. Outro "mistério" da economia é porque a atividade econômica não aquece mesmo como as medidas de estímulo do governo e com a queda da taxa de juros. "A história mostra que em momentos de expansão monetária (queda do juros) e fiscal (aumento do gasto do governo), a atividade econômica reage. Atualmente isso não acontece e ainda não está claro o motivo para isso", disse. Previsões Diante das incertezas e paradoxos do atual cenário, o Ipea decidiu rever seus modelos de análise e projeções da economia. Essa mudança foi precipitada também com a chegada do economista Marcelo Neri, antes na FGV (Fundação Getúlio Vargas), para a presidência do instituto, em meados deste ano. "Quase todo mundo errou as projeções de 2012. Para evitarmos errarmos também em 2013, estamos revendo nosso modelo de avaliação da economia. No final de março teremos uma nova Carta Conjuntura, na qual poderá haver projeções, caso a área relativa a mudança nos modelos já tenha concluído seus trabalhos", explicou Ribeiro.  

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