Economia

Após caso de vaca louca, África do Sul estuda embargo à carne brasileira

Da Redação ·

Por Renata Agostini BRASÍLIA, DF, 13 de dezembro (Folhapress) - O governo da África do Sul avalia suspender as importações de carne bovina brasileira. Segundo o Itamaraty, a embaixada do Brasil em Pretória recebeu ontem uma notificação oficial do governo sul-africano, na qual afirma estudar "um possível embargo à carne brasileira". A atitude da África do Sul é resultado da confirmação por parte do Brasil de que o agente causador do mal conhecido como vaca louca foi encontrado num animal morto no Paraná em dezembro de 2010. O episódio, anunciado pelo governo brasileiro na sexta-feira, provocou a suspensão de importação de carne bovina do país pelo Japão. A Rússia, principal comprador da carne brasileira, e o Irã também ameaçam barrar a entrada do produto. Os pecuaristas venezuelanos também querem a suspensão temporária da importação de carne bovina congelada e de animais vivos do Brasil até que os governos brasileiro e venezuelano apresentem estudo de risco de contaminação pelo mal da vaca louca. O Ministério da Agricultura ainda não se pronunciou oficialmente sobre o caso, pois afirma que a correspondência recebida pela embaixada na África do Sul ainda não chegou em Brasília. Foi a primeira vez que o país registrou a presença do agente causador do mal da vaca louca. A OIE (Organização Mundial de Saúde Animal) decidiu, contudo, manter a classificação do país como de risco insignificante para a doença. Entenda A encefalite espongiforme bovina, nome científico do mal da vaca louca, foi identificada pela primeira vez no Reino Unido, em 1985. A doença provoca a degeneração do sistema nervoso central e se caracteriza pela aparição de sintomas de nervosismo nos bovinos, que os leva invariavelmente à morte em um período que pode variar de um a seis meses. A doença preocupa as autoridades porque pode ser transmitida para humanos e provocar perda da função motora e morte. Nos humanos, a versão da encefalite espongiforme bovina leva o nome de mal de Creutzfeldt-Jakob. O consumidor brasileiro não corre o risco de contaminação pelo mal da vaca louca ao ingerir carne bovina, garantem o Ministério da Agricultura e produtores. Todos os animais da propriedade envolvida no episódio foram mortos e todos os exames feitos nos últimos anos deram negativo para a vaca louca.  

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