Economia

Saída de Monti balança bolsas na Europa

Da Redação ·





SÃO PAULO, SP, 10 de dezembro (Folhapress) - O anúncio da saída do primeiro-ministro Mario Monti da Itália após a aprovação do orçamento de 2013 balançou os mercados europeus hoje.

Entretanto, Monti disse que a reação dos mercados não deve ser vista como algo muito preocupante.

"As reações dos mercados não devem ser dramatizadas", afirmou Monti hoje em Oslo.

Ele acredita que o próximo governo será "altamente responsável" e orientado em direção à União Europeia.

A principal medida da confiança dos investidores, o spread entre os títulos do governo italiano de 10 anos e seus equivalentes alemães de menor risco, subiu em relação à sexta-feira, refletindo preocupações sobre um retorno à incerteza política que assolou a Itália no ano passado.

O mercado de títulos da Espanha também sofreu os reflexos da Itália, com alta considerável no spread em relação aos títulos alemães.

O principal índice de ações da bolsa de Milão chegou a cair mais de 3%, com quedas acentuadas em ações de bancos, que são vistas como as mais vulneráveis em uma crise da dívida renovada.

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Autoridades europeias advertiram que as políticas de Monti devem continuar para evitar o retorno da crise que o levou ao poder há um ano e evitar um colapso ao estilo da Grécia.

"Monti foi um grande primeiro-ministro da Itália e espero que as políticas postas em prática por ele continuem depois das eleições", disse o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, em Oslo, onde ele fazia parte de uma delegação da União Europeia para receber o Prêmio Nobel da Paz.

Os comentários ecoaram observações semelhantes nos últimos dois dias de políticos europeus, como o presidente da França, François Hollande.

"É uma pena no curto prazo mas, em um ou dois meses, vai ficar claro que o Sr. Monti é capaz de estruturar uma coalizão ou continuar estabilizando a Itália", disse Hollande.

"Apoiamos os esforços dele até a eleição, e depois disso o povo italiano vai escolher o melhor governante."

O ministro das Finanças da França, Pierre Moscovici, se mostrou confiante no futuro da reforma italiana, apesar da crise de hoje.

"A direção em que a Itália tem seguido no último ano e meia é sólida, não existe razão para preocupação", disse Moscovici.

"Berlusconi está voltando à política, mas estou convencido de que ele não vai voltar ao poder", completou.

Depois de várias semanas de calmaria, os mercados se agitaram com a perspectiva de retorno de Berlusconi para liderar a centro-direita, pouco mais de um ano depois de uma crise financeira levar o bilionário a ser substituído no cargo pelo tecnocrata Monti.

Pesquisas de opinião sugerem que Berlusconi tem pouca chance de reeleição. O Partido Democrático (PD) de centro-esquerda, sob comando de Pier Luigi Bersani, detém uma forte liderança e provavelmente deve formar o próximo governo em uma plataforma amplamente pró-europeia, em consonância com a agenda de Monti.
 

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