Economia

Dilma diz não acatar "de maneira alguma" sugestão do "The Economist"

Da Redação ·





Por Fernanda Odilla

BRASÍLIA, DF, 7 de dezembro (Folhapress) - Ao responder com um solene "não" a sugestão de demitir o ministro Guido Mantega (Fazenda), feita pela revista britânica "The Economist", a presidente Dilma Rousseff destacou hoje que a situação econômica dos países desenvolvidos é "muito pior" que a do Brasil desde 2008.

A presidente recebia líderes do Mercosul quando, na manhã de hoje, foi perguntada se demitiria Mantega, tal qual sugeriu a revista britânica ao afirmar que a economia brasileira é uma "criatura morimbunda" que ficou paralisada e luta para se recupera. Na ocasião, balançou a cabeça contrariada.

Horas depois, Dilma voltou apenas para anunciar que, apesar de ser a favor da liberdade de imprensa, "em hipótese alguma o governo brasileiro eleito pelo voto direto, secreto, vai ser influenciado por uma opinião de uma revista que não seja brasileira".

Dilma não escondeu a surpresa com a sugestão da revista. "Eu nunca vi nenhum jornal propor a queda de um ministro". Em seguida, completou: "Nós estamos crescendo a 0,6% nesse trimestre. Iremos crescer mais no próximo trimestre. A resposta é de maneira alguma eu levarei em consideração essa sugestão. Não vou levar", afirmou.

Questionada se a situação dos países desenvolvidos era pior que a brasileira, Dilma respondeu: "Vocês da imprensa brasileira não sabem que a situação deles é pior que a nossa? Pelo amor de Deus, desde 2008".

A presidente, em seguida, começou a citar episódios e números que, segundo ela, colocam o Brasil em situação superior aos Estados Unidos e à Europa. "Nenhum banco como o Lehman Brothers não quebrou aqui, nós não temos crise de dívida soberana, a nossa relação dívida-PIB é de 35%, a nossa inflação está sob controle, nós temos US$ 378 bilhões de reserva. E tudo isso se dá porque os juros caíram no Brasil?", questionou a presidente numa crítica direta à revista.

Apesar de iniciativas como redução dos juros e desoneração da folha de pagamentos, a taxa de investimento vem caindo nos últimos trimestres e representa hoje 18,7% do PIB, ante 30% no Peru e 27% no Chile, lembrou a "The Economist".

 

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